Por falta de oferta frigoríficos voltam a subir arroba do boi
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segunda-feira, 20 de março de 2000
Por Antônio José do Carmo 
Araçatuba, SP, 21 (AE) - A oferta de boi gordo em São Paulo voltou a cair e a partir de hoje alguns dos 22 frigoríficos paulistas aumentaram em 2,6% o preço da arroba, elevando de R$ 38,00 e R$ 38,50 para R$ 39,00 o valor pago aos pecuaristas. Na praça de Araçatuba, a 550 quilômetros da Capital, o reajuste foi atribuído à tranquilidade econômica dos fazendeiros que sem dívidas e desmotivados para aplicar no mercado financeiro, preferem manter os bois no pasto principalmente agora que o capim voltou a engordar os animais.
Segundo o presidente do Sindicato do Frio do Estado, Edivar Vilela de Queiroz, dono do frigorífico Minerva em Barretos, "há bois em ponto de abate no interior de São Paulo mas os pecuaristas não querem entregá-los ao preço de R$ 38,50". Para Queiroz não se trata apenas de escassez de bovino de corte, mas da aparente "acomodação econômica" dos fazendeiros. Sua empresa ofereceu hoje R$ 38,50 pela arroba mas teve dificuldades para comprar. Na sua opinião a solução só virá quando for possível absorver o gado do Mato Grosso do Sul, atualmente impedido de entrar em São Paulo sem antes passar por quarentena de controle da febre aftosa. Em Campo Grande-MS, a arroba, que já chegou a R$ 32,00, também subiu para R$ 34,50.
O frigorífico Tatuibi de Santa Fé do Sul, a 680 quilômetros da Capital no Noroeste do Estado, pagou nessa terça-feira R$ 38 00 à vista sem nenhum desconto. Para as negociações a prazo representa a volta ao pagamento de R$ 40,00 a arroba com 30 dias
que era o preço fixo de duas semanas atrás em todas as regiões produtoras do Estado. O Frigorífico de Guapiaçú, Campboi também aumentou o preço e pagou hoje R$ 39,00 pela arroba.
Na opinião de Sérgio Galiano, analista de mercado do boi, a pecuária de corte enfrentará a fase de preços baixos somente em maio, quando conforme seus cálculos haverá muitos animais com 17 e 18 arrobas.
Depois desse peso eles começam a dar prejuízo no campo e em julho volta a expectativa da estiagem. Conforme Galiano, a escassez em plena safra significa que no fim do ano passado muitos criadores venderam gado pesando menos de 16 arrobas para aproveitar o preço. "Eles temiam que a arroba ia cair de preço e, ao invés de esperar com o gado no pasto, venderam rapidinho para os frigorífico", diz o analista. Esses animais na sua opinião deveriam estar entrando agora no mercado de abate.


