Curitiba - A gaúcha Valentina de Andrade, acusada de ser a mentora intelectual da morte e castração de dois meninos e lesões corporais em outros três no município de Altamira, no Pará, foi alsolvida ontem, no início da noite, por seis votos contra um, por falta de provas. O Ministério Público (MP) do Pará vai recorrer da decisão. A decisão causou revolta em populares que acompanhavam o julgamento. Os advogados de defesa de Valentina, dentre eles o paranaense Cláudio Dalledone Júnior, saíram do tribunal escoltados pela polícia, com medo de linchamento.
O argentino Guillermo Nerio Gibbon foi a última testemunha a ser ouvida no julgamento. Gibbon faz parte da seita Lineamento Universal Superior (LUS), liderada por Valentina, há 15 anos. Ele negou que tenha presenciado rituais satânicos ou sacrifícios humanos. Os membros do LUS, segundo ele, pagam uma cota de 15 pesos mensais para integrar o grupo. Gibbon negou que os integrantes da seita preguem que crianças são violentas.
O julgamento de Valentina, que viveu 15 anos e Londrina e foi investigada pelo desaparecimento de dois meninos no Paraná, foi o mais longo da história de Altamira. Ao todo, ele durou 17 dias.
Durante os debates, a promotora Rosana Cordovil sustentou a acusação contra a ré, pedindo a condenação e enfatizando que os jurados já tinham provas suficientes e robustas da participação dela. ''Esqueçam as lágrimas de crocodilo derramadas nesse tribunal e pesem no sofrimento dessas mães traumatizadas que deixaram seus afazeres e estão aqui orando e clamando por Justiça'', pediu a promotora, que mostrou através do data show as fotos das crianças encontradas assassinadas e castradas. Ela relacionou os crimes de Altamira com o de Evandro Ramos Caetano, em Guaratuba, litoral paranaense.
Os advogados de defesa rebateram. Eles sustentaram a argumentação de que não existe prova concreta contra Valentina nos autos. Ela mesma não teria estado em Altamira em nenhuma das oportunidades em que os crimes teriam acontecido.

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