Caracas, 01 (AE-ANSA) - O presidente venezuelano, Hugo Chávez
cumprirá amanhã (02) seu primeiro ano de governo conservando intacta sua popularidade, embora a economia local tenha sofrido a pior queda da década.
O filósofo e professor universitário Francisco Rivero considerou que a maior conquista até agora de Chávez foi a de "ter liquidado com as cúpulas dos partidos políticos, com os protagonistas políticos tradicionais". Para ele, "essa gente era um câncer, um princípio de dissolução para a vida institucional do país".
O analista político Fausto Massó ressaltou que o mandatário cumpriu com suas principais promessas eleitorais: "acabar com (os partidos) Ação Democrática (social-democrata) e o Copei (democrata-cristão)", assim como dotar os venezuelanos com uma nova Constituição, aprovada em dezembro do ano passado.
Segundo o diretor da empresa de pesquisa privada Datanálisis, Luis Vicente León, neste primeiro ano "a política foi a grande vedete" e Chávez conseguiu afiançar o que ele mesmo classifica como "uma revolução pacífica" que, de início, expulsou do poder os políticos tradicionais.
Amparado em seu inegável apoio popular, Chávez conseguiu, através de eleições democráticas, a aprovação se suas principais promessas políticas: a instalação de uma Assembléia Constituinte
a seleção de seus 131 membros e a aprovação da nova carta magna.
Entretanto, o próprio Chávez invoca os designos do destino para afirmar que este quis que "a nova pátria, a bolivariana, nascesse com dor", pois no mesmo dia da aprovação da nova Constituição ocorreu a pior catástrofe natural da história do país.
Entre 15 e 16 de dezembro, "choveu como nunca", disse Chávez, provocando deslizamentos de terra e enchentes que provocaram a morte de cerca de 50.000 pessoas. O governo assegura que poderá "converter a tragédia em milagre" e se dispõe a reconstruir as zonas devastadas.
Depois da tragédia, o país se dispõe a continuar em seu rumo político. Em 28 de maio ocorrerão novas eleições gerais para adequar os poderes públicos à nova Constituição e nas quais o próprio Chávez submeterá o seu cargo ao veredicto popular.
Segundo León, Chávez - que ganhou popularidade como líder de uma tentativa de golpe em 1992 - mantém a esperança entre a maioria empobrecida sobre a possibilidade de estabelecer um sistema político "mais justo, que melhore sua qualidade de vida".
Entretanto, Massó sustenta que "a festa" do governo de Chávez, assim como as "infames" quatro décadas passadas, foram "pagas pelo petróleo", principal riqueza do país.
Chávez se ufana em dizer que a contundente alta nos preços do petróleo é uma das conquistas mais importantes de seu governo, depois que a Venezuela contribuiu para impulsionar os pactos internacionais para reduzir a produção e equilibrar os preços.
"Desta vez, o petróleo financiou a reforma política e a queda da economia (de 7,2% do Produto Interno Bruto em 1999) não afetou a popularidade do presidente", afirmou Massó.
Por sua parte, León advertiu que se trata do pior desempenho da economia venezuelana desde 1989, ao mesmo tempo em que o desemprego registrou níveis sem precedentes, ficando em 17%, e o subemprego ronda os 54% da população economicamente ativa.
Por outro lado, Chávez defende sua performance mostrando os indicadores macroeconômicos: a redução da inflação para o nível mais baixo dos últimos 13 anos (20% em 1999) e a estabilidade cambial e as reservas internacionais.