São Paulo, 19 (AE) - A reforma ministerial não deve reverter os índices de baixa popularidade do presidente Fernando Henrique Cardoso, segundo avalia o diretor do Instituto Vox Populi, Marcos Coimbra. Para ele, o presidente não sinalizou uma mudança expressiva para a sociedade civil ao escolher os novos integrantes de seu governo. Coimbra considera "muito improvável" qualquer repercussão.
"Não há um nome de maior peso junto à opinião pública, quer seja regional quer seja nacional", disse Coimbra. Ao alterar sua equipe, Fernando Henrique poderia, segundo ele, ter convidado um nome popular para os ministérios da Cultura, do Esporte ou do Meio Ambiente - pastas que não alterariam a condução do governo, mas teriam apelo junto à sociedade.
"Se tivesse convidado um advogado ligado ao MST (o movimento dos sem-terra) ou ligado à OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), as pessoas diriam que Fernando Henrique mudou", analisou Coimbra. Outra possibilidade seria convidar alguém popular, como a atriz Fernanda Montenegro, para ocupar o Ministério da Cultura
disse ele.
Mesmo a médio prazo, Coimbra não prevê que a mudança melhore a popularidade do presidente. "Fernando Henrique rearrumou as cartas de uma equipe que está com ele há muito tempo", afirmou. Os ministros Pedro Parente, Clóvis Carvalho, Ronaldo Sardenberg e até mesmo Aloysio Nunes Ferreira já têm seus nomes associados ao do presidente há muito tempo, não incorporando a perspectiva de mudança.
"A possibilidade de acompanhar e entender essas micro-mudanças é uma coisa extremamente limitada. É preciso uma lente de aumento para enxergar o que mudou", disse Coimbra, miminizando o impacto junto à opinião pública.
Ao fazer esse rearranjo, não trazendo "grandes estrelas" para a equipe, Fernando Henrique pode, em contrapartida, ter facilitado a convivência dessa nova equipe no futuro, sem disputas. Ele discordou das avaliações de que o ministro da Fazenda, Pedro Malan, tenha saído fortalecido com a reforma. "Parte dos formadores de opinião podem pensar assim", disse, lembrando que outros acham que os chamados "desenvolvimentistas" seriam os vitoriosos e, neste caso, o ministro José Serra seria a estrela da vez.

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