Popularidade de FHC continua caindo, revela pesquisa CNI/Ibope
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terça-feira, 10 de agosto de 1999
Por Renato Andrade 
Brasília, 11 (AE) - A pesquisa CNI/Ibope apurou que 52% dos entrevistados consideram ruim ou péssimo o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. A sondagem foi realizada entre os dias 14 e 19 de julho, junto a 2 mil pessoas com mais de 16 anos
em todo o País. Na pesquisa anterior, realizada em maio, esse índice era de 44%. O levantamento mostrou ainda que 30% dos entrevistados consideraram regular a administração de FHC, enquanto 16% consideraram ótima ou boa.
Na última pesquisa, em maio, 35% dos entrevistados consideravam o governo de FHC regular, enquanto 18% consideravam ótimo ou bom. O presidente da CNI, Carlos Eduardo Moreira Ferreira, afirmou que, apesar dos índices negativos, o presidente poderá recuperar sua credibilidade e confiança junto à população brasileira, desde que consiga, com sua base aliada, aprovar as reformas que estão sendo discutidas no Congresso.
O índice nacional de expectativa do consumidor (INEC), apurado pela Confederação Nacional da Indústria, caiu 3,1% em em julho relação a maio. Segundo Moreira Ferreira, este foi o segundo pior índice desde que a entidade iniciou este tipo de pesquisa, em 1996. O principal determinante da queda da confiança foi a expectativa de aumento da inflação, provocada pela alta das tarifas públicas e combustíveis.
A pesquisa aponta que 65% dos entrevistados esperam um aumento da inflação nos próximos seis meses. Em maio passado, esta expectativa de elevação dos índices foi registrada em 53% dos entrevistados. Para 88% dos entrevistados, o reajuste dos combustíveis e das tarifas públicas ficou em porcentual acima do esperado, enquanto que 7% considerou correta a magnitude dos aumentos. Para 48% dos entrevistados, o principal impacto dos reajustes das tarifas públicas e do preço dos combustíveis será o aumento do desemprego.
O novo regime de metas de inflação definido pelo governo foi recebido com descrédito pela maioria dos entrevistados. Para 66% dos entrevistados, o governo não irá cumprir as metas fixadas para os próximos dois anos. A pesquisa apontou, também, que 44% dos entrevistados consideram que o desemprego é um fenômeno internacional, mas, ao mesmo tempo, reconhecem que o governo pode adotar medidas para minimizar o problema. Outros 37% opinaram que o desemprego é consequência da política econômica e outros 13% consideram que o desemprego é um fenômeno internacional, mas o governo pode adotar poucas medidas para reverter o problema.
O desemprego, a saúde e o salário dos trabalhadores são as principais preocupações dos brasileiros. Para 79% dos entrevistados, a questão do desemprego é a mais grave. A saúde voltou a ser a segunda preocupação mais frequente dos pesquisados, desde que foi introduzida essa pergunta na pesquisa CNI-Ibope, em outubro de 1997.
Ainda de acordo com a pesquisa, a avaliação dos efeitos de uma reforma tributária no País continua positiva. Para 35% dos entrevistados, a geração de empregos deve ser o principal resultado obtido com a aprovação da reforma. Para 13%, a reforma conseguirá melhorar a distribuição do valor dos impostos, enquanto 12% acreditam que haverá uma diminuição da sonegação no País. Mas avaliação sobre a situação de vida após o Plano Real mudou. O número de entrevistados que consideraram que a situação de vida manteve-se inalterada caiu de 40%, apurado na pesquisa de maio, para 33%, nesta rodada de julho. E o número dos que acharam que a vida piorou aumentou de 19% para 24%.


