Berlim, 19 (AE-AP) - A popularidade da União Democrata Cristã (CDU) caiu ao seu mais baixo nível desde o fim da 2ª Guerra Mundial em consequência do escândalo das contas secretas, abertas por seu ex-líder Helmut Kohl, para receber "donativos políticos" de pessoas ou empresas que queriam permanecer no anonimato. Segundo pesquisa divulgada hoje (19) pela revista Die Woche, os democrata-cristãos têm hoje 29% das intenções de votos do eleitorado alemão em comparação aos 44% dos socialistas.
O prestígio do partido deverá cair ainda mais com novas declarações de Kohl e novas descobertas de contas suspeitas no valor de 9 milhões de marços (US$ 4,6 milhões) nos livros de contabilidade do partido.
Um dia depois de renunciar à presidência honorária do partido
Kohl reiterou que não vai revelar os nomes das pessoas que o ajudaram, com financiamentos, em seu trabalho nos 25 anos em que presidiu a CDU. "Mantenho a palavra empenhada e não vou revelar os nomes", disse ele durante pronunciamento, como convidado, na Câmara de Comércio de Hamburgo, que comemora 335 anos de fundação. "É uma questão de honra."
O ex-chanceler admitiu ter cometido erros nos anos em que dirigiu o partido e também o governo alemão. "Aceito a responsabilidade por esses erros e estou pagando por eles", acrescentou. "Jamais me vendi e jamais fui corrupto, todos me conhecem."
Contudo, o líder democrata-cristão Roland Koch deixou claro que as contas ocultas - mantidas pela CDU na Alemanha e no Exterior - são mais substanciais do que se supunha inicialmente.
Em declarações ao jornal Frankfurter Rundschau, Koch disse que, além dos depósitos de 14,5 milhões de marcos (US$ 7,6 milhões) em contas do partido no exterior já conhecidos, houve "outros ingressos anuais de pelos menos cinco dígitos" nos cofres da agremiação. Segundo ele, alguns funcionários da direção do partido tinham conhecimento "pelo menos parcial" da existência das contas no exterior, "que eram transferidas para a Alemanha como heranças deixadas para a CDU por cidadãos judeus (afirmação contestada com veemência pela comunidade judaica do país)".

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