Nações Unidas, 21 (AE-AP) - Com taxas de fertilidade baixas e xenofobia alta na Europa, um novo estudo das Nações Unidas sugere que um aumento significativo na migração pode ser necessário para impedir que as populações diminuam.
A maior parte dos estrangeiros também ajudaria a Europa a competir com os Estados Unidos, cuja população baby boomer está envelhecendo mas está sendo auxiliada por um constante fluxo de trabalhadores que vêm ao país - 1.1 milhão a cada ano entre 1990-96, segundo o relatório.
O estudo, divulgado hoje pela Divisão Populacional da ONU, também afirma que o Japão e a Coréia vêm enfrentando um declínio significativo na população nos últimos 50 anos e que a migração iria atenuar o impacto na economia
O relatório pode ter sérias implicações para os governos envolvidos no debate cada vez mais barulhento sobre a imigração mas que também se dão conta de que podem não conseguir manter as aposentadorias de um número cada vez mais alto de aposentados sem um aumento no número das pessoas que trabalha.
O relatório examina demografia de oito países - França, Alemanha, Itália, Japão, Rússia, Coréia do Sul e Estados Unidos - e duas regiões: Europa e a União Européia.
Entre outros cenários o relatório analisa qual o nível de imigração necessário para manter a proporção entre a população ativa e a população inativa. As estatísticas ajudam a estabelecer como os trabalhadores podem ser capazes de cuidar dos aposentados, que precisam de mais serviços, tais como cuidados médicos.
Por causa da taxa de fertilidade no Japão, Coréia do Sul e Europa - que tem uma das taxas de natalidade mais baixas no mundo - não se espera que haja um aumento dramático populacional nos próximos anos, e por isso o relatório sugere a migração como uma das melhores e mais realistas respostas.
O estudo concluiu que o Japão precisaria de mais de 10 milhões de imigrantes por ano nos próximos 50 anos para manter a proporção atual entre a população ativa e os aposentados. Sem migrações os números mostram que seria necessário elevar a idade de aposentadoria para 77 anos para manter a proporção.
A Itália também vai precisar aumentar a idade da aposentadoria para 77 anos se não aceitar os 2.2 milhões de migrantes por ano necessários para manter a proporção de quatro pessoas ativas para cada aposentado, segundo o relatório.
Paul Demeny, um acadêmico do Conselho Populacional e editor da Population and Development Review, disse que o estudo das Nações Unidas era um "exercício ilustrativo" que deveria estimular o debate.
Mas Demeny questionou a presunção do relatório ao afirmar que uma população decrescente era necessariamente ruim, lembrando que "os melhores anos da Europa - mais criativos e científicos" do século XVIII, ocorreram quando a população era consideravelmente menor do que é agora.
Demeny também sugeriu que os índices de natalidade poderiam aumentar repentinamente - como ocorreu nos Estados Unidos no pós-guerra - o que ajudaria a corrigir o declínio da população.
"Estas sociedades afluentes - Europa, Japão, América do Norte - têm enorme potencial econômico para adaptarem-se a estas mudanças lentas sem ter que enfrentar um desastre".
Na Coréia do Sul, onde 7% das 47 milhões de pessoas têm 65 anos ou mais, um pesquisador da área de saúde disse que utilizar mais mulheres seria uma forma de estreitar a esperada deficiência no número de trabalhadores.
"Nós temos muitas mulheres bem formadas que se tornam donas de casa ao invés de conseguir um emprego por causa da discriminação contra a mulher. O governo está tentando criar um ambiente de trabalho mais favorável para as mulheres", disse Kim Seung-Kwon do Instituto coreano de Saúde e Negócios Sociais.
Kim disse que outra opção seriam importar trabalhadores de outros lugares da ásia - o que a Coréia do Sul já está fazendo. Cerca de 150 mil trabalhadores estrangeiros estão na Coréia do Sul, metade deles ilegalmente.
Um funcionário do ministério da Saúde do Japão, que não quis ser identificado, considera que apenas um aumento na imigração poderia resolver o problema de auxiliar os números crescentes de aposentados, mas não consideraram outras opções tais como usando mais mulheres.
O último relatório da ONU não passa de um barômetro, disse o funcionário, que pode ser útil para que se considere um afrouxamento das leis de imigração no Japão, que é mais fechado aos trabalhadores estrangeiros do que os outros países adiantados.
O relatório da ONU não traz recomendações específicas, mas conclui que as mudanças demográficas nos próximos 50 anos vão acarretar uma reavaliação de muitos programas econômicos, sociais e políticos estabelecidos.

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