População vê intriga e individualismo no ministério de FHC
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segunda-feira, 12 de julho de 1999
Por Gecy Belmonte 
Brasília, 13 (AE) - No momento em que o presidente Fernando Henrique Cardoso avalia a conveniência de fazer uma reforma ministerial, pesquisa da Confederação Nacional do Transporte/Vox Populi mostra que para o brasileiro (56% dos entrevistados) a equipe de governo gasta muito tempo com intrigas e os ministros agem de acordo com os seus próprios interesses (53%). Para 45% das pessoas ouvidas a equipe é desunida e não segue (33%), ou segue parcialmente (34%) a orientação do presidente. Só 20% dos entrevistados acham que a equipe segue integralmente a orientação presidencial. "Isso demonstra que o presidente deve fazer uma reformar ministerial urgente, constituindo uma equipe mais coesa e mais operante", avalia o presidente da CNT, Clésio Andrade. Foram ouvidas 2.008 pessoas em todas as regiões do País
entre os dias 3 e 4 deste mês.
O governo Fernando Henrique Cardoso vive o seu pior momento desde que a sondagem começou a ser realizada, em março de 1998. O número de pessoas que consideram o governo ruim e péssimo passou de 51%, em maio, para 53%, em julho, enquanto a avaliação positiva (ótimo e bom) caiu de 15% em maio para 12% no período. A sustentação do Plano Real é o aspecto em que o cidadão melhor avalia o presidente Fernando Henrique Cardoso, concedendo uma média de 2.46 pontos em uma escala de zero a cinco (um é péssimo e cinco é ótimo). A pior pontuação ficou com o aspecto social, que recebeu somente 1.87 pontos, seguido da comunicação com a população, que obteve 1.98 pontos.
Para melhorar a imagem, 44% dos entrevistados pelo Vox Populi disseram que o presidente deveria afastar qualquer autoridade do governo vinculada à corrupção, e mostrar maior empenho em resolver os problemas sociais. Piorou o sentimento com relação à impunidade e à corrupção praticadas no País. Em um ano passou de 44% para 68% a parcela dos que acham que a impunidade está crescendo, enquanto o índice dos que acreditam que a corrupção está aumentando subiu de 55% para 88% nesse período.
As pessoas ouvidas pelo Vox Populi acreditam que o governo tem capacidade para melhorar o serviço prestado à população. 71% dizem que o governo pode melhorar o atendimento em postos de saúde/hospitais da rede pública; combater o analfabetismo (70%) e combater o desemprego (63%). Para os entrevistados, falta empenho para resolver os problemas. Para 83% deles há pouco empenho em resolver a miséria, a violência e criminalidade (81%) e solucionar o desemprego (76%).
O instituto fez uma análise dos últimos 12 meses sobre questões vinculadas ao desenvolvimento do país. Há um ano, 30% dos entrevistados afirmavam que o país estava andando para a frente enquanto 16% diziam que o País andava para trás. Atualmente, para 33% das pessoas ouvidas o País está andando para trás e somente 17% acreditam que está avançando. No último ano também diminuiu de 29% para 18% o percentual daqueles que tinham orgulho de ser brasileiro. E caiu de 16% para 14% o índice daqueles que diziam que sua situação pessoal e familiar estava melhorando.


