População vai aumentar nos países pobres
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quarta-feira, 12 de dezembro de 2001
Antonio Gois<br>Agência Folha - Do Rio de Janeiro 
A população mundial crescerá 52% em 50 anos, saindo dos 6,1 bilhões atuais para 9,3 bilhões. Esse aumento será impulsionado, principalmente, por países pobres da África e Ásia. Até 2050, a Índia terá ultrapassado a China e será o país com a maior população do mundo -mais de 1,5 bilhão de habitantes.
Essas projeções foram feitas pela ONU e constam do relatório ''A Situação da População Mundial 2001''. No mundo todo, a taxa anual de crescimento para o período de 2000 a 2005 será de 1,2%, segundo o relatório.
O aumento da população, no entanto, será maior nos países pobres e populosos.
A Etiópia, por exemplo, deverá quase triplicar sua população, crescendo a uma taxa de 2,4% ao ano. A população do país africano passará de 64 milhões para 186 milhões. O Congo, com uma população atual de 52 milhões, chegará a 200 milhões em 2050, informa o relatório.
As projeções da população mundial feitas pela ONU levam em conta as taxas de crescimento demográfico atuais. O órgão fez também outras duas projeções paralelas.
Em uma situação em que aumente o número de guerras e as mulheres em todo o mundo passem a ter menos filhos, a população poderá chegar a 7,9 bilhões em 2050. Em caso oposto, a população poderá chegar a 10,5 bilhões.
A ONU ressaltou no relatório preocupações com relação ao efeito no ambiente do aumento da população. Enquanto a população mundial triplicou nos últimos 70 anos, o uso da água aumentou em seis vezes. Se esses fatores não se alterarem, em 2050, 4,2 bilhões de pessoas viverão em países que não atendem suas necessidades básicas de água.
''A pobreza mundial não pode ser aliviada sem a reversão da degradação do meio ambiente, resultante dos padrões de consumo insustentável e do crescimento populacional'', afirmou Rosemary Barber-Madden, representante no Brasil do Fundo de População das Nações Unidas.
Rosemary Barber-Madden ressaltou, ao apresentar o relatório, que os impactos no ambiente não podem ser creditados apenas ao crescimento da população pobre. ''É a riqueza econômica, e não o número de pessoas, que tem maior impacto no ambiente. A população que vive em países industrializados produz 30 vezes mais lixo do que cidadãos de países em desenvolvimento'', afirmou a representante da ONU no Brasil.


