Londrina - O 5° Distrito Policial (DP) de Londrina, na zona norte, não abriu ontem para o atendimento ao público. Apesar de ser um dia normal de funcionamento, a falta de investigadores e funcionários impediu a abertura da unidade. A reportagem da FOLHA presenciou várias pessoas que foram até o DP e não conseguiram ser atendidos. Os demais DPs da cidade funcionaram normalmente.
O único investigador que trabalhava no local informava, pelo interfone, que quem precisava registrar um Boletim de Ocorrência (BO) deveria procurar o plantão da 10ª Subdivisão Policial (SDP) ou então retornar no dia seguinte.
"Eu já vim pela manhã e estava fechado. Agora a mesma situação. Tem que avisar o pessoal daqui que o carnaval já passou e eles têm que abrir para atendimento", ressaltou Rafael Daniel dos Santos, de 23 anos, morador do Conjunto Luiz de Sá. Ele procurou a delegacia para fazer um BO para comunicar a perda dos documentos.
Há três semanas, a FOLHA constatou que o portão que dá acesso a delegacia ficava trancando durante o horário de expediente – de segunda a sexta-feira das 8 às 12 horas e das 13h30 às 18 horas. As vítimas precisavam se identificar para que o portão fosse aberto. Algumas pessoas chegaram a esperar por 30 minutos para conseguir entrar no DP.
"Eu nunca vi porta e portão de delegacia fechados. Não acho que seja correto. Tinha que estar aberto. É um absurdo", frisou a dona de casa Maria dos Anjos. Ela saiu do Conjunto Ernani Moura Lima, na zona leste, para visitar o filho que está preso no 5º DP. "Precisava entregar os documentos para fazer um carteirinha para eu poder visitar meu filho e não consegui. Ele está detido há 30 dias e não pude visitá-lo ainda."
Juliana Gonçalves de Melo, de 32 anos, se diz impotente diante da situação. Ela está há mais de uma semana buscando informações na delegacia de como proceder para resolver um problema com o filho. "Parece que eles deixam a delegacia fechada porque têm medo da gente. E seu eu fosse assaltada agora e precisasse da polícia? Alguém ia me socorrer?", questionou Juliana. "É um transtorno danado ter que se deslocar até o Centro para ser atendida."
Segundo o delegado chefe da 10ª SDP, Márcio Amaro, o 5º DP tem apenas seis investigadores. Quatro deles se revezam nos plantões de 24 por 72 horas e dois atendem o público. A situação se agravou com a saída de 18 auxiliares de carceragem depois do encerramento do contrato com o governo do Estado. "Consegui prorrogar o contrato de apenas sete deles e com isso os investigadores precisam auxiliar no trabalho com os presos. Estamos tentando administrar este deficit", explicou o delegado. "O problema só será resolvido totalmente quando o 4º e o 5º DPs passarem para a administração da Secretaria de Justiça."
Sobre o fechamento do portão da delegacia, Amaro informou que cada delegado administra o seu DP de uma forma, mas reprovou a decisão. "Pode até ser por uma medida de segurança, já que lá existem detentos. Mas o portão de atendimento ao público não é para ficar fechado, não se justifica", ressaltou Márcio Amaro. "Vamos enviar pelo menos mais um investigador para o 5º para não prejudicar o atendimento."

mockup