População indígena cresce 250% em 30 anos
Edson Luiz
Agência Estado
De Brasília
Nos últimos 30 anos, a população indígena cresceu em média 250%, passando de 100 mil na década de 70, para aproximadamente 350 mil no fim do ano passado. O censo de 1991 registrava 306.245 índios. Hoje, a taxa de natalidade, segundo estatísticas da Fundação Nacional do Índio (Funai), chega a ser 10% acima da média nacional.
Quando Pedro Álvares Cabral chegou, segundo historiadores, havia pelo menos 5 milhões de índios. Mas 470 anos depois, por pouco os grupos restantes não foram dizimados. Hoje, estudos da Funai mostram que a cada 20 anos a população praticamente dobra. O motivo principal é que os próprios índios estão voltando a se organizar em sociedade. Para eles, o que importa é a necessidade do grupo e não de cada um, diz o diretor do departamento de Assuntos Fundiários da Funai, Roque Laraia. Apesar de as autoridades comemorarem o crescimento da população indígena um fato inédito em todo o mundo os problemas existem em grande escala nesta área. Apesar de as 215 etnias reconhecidas no País estarem distribuídas em cerca de 11,54% do território nacional, nem sempre isso é motivo de satisfação.
O índio pode ter terra, mas ainda falta saúde, definição de limites territoriais e o Estatuto do Índio, que definirá uma política diferenciada para cada povo. O estatuto poderá sair ainda este ano, dentro das comemorações dos 500 anos do Descobrimento, uma data que também não é muito simpática para eles. Em 1999, a Funai constatou que pelo menos 70% das 429 áreas indígenas estavam invadidas pelos brancos.





