População fecha aeroporto em protesto contra estado da Transamazônica
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quarta-feira, 05 de maio de 1999
Por Carlos Mendes, especial para a AE 
Belém, 06 (AE) - Revoltada com o péssimo estado da rodovia Transamazônica, intrafegável há três meses, e a ausência do prefeito do município, Antonio Lazarini (PTB), a população de Uruará, no oeste do Pará, fechou ontem o aeroporto da cidade, de 17 mil habitantes. Uruará está isolada por terra e ar. Os aviões de pequeno porte e bimotores que fazem linha regular para o município estão sendo obrigados a pousar em Altamira, a 180 km.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, João Batista dos Santos, informou que cerca de 30 caminhões, kombis e toras de madeira foram colocadas na pista do aeroporto, impedindo pouso ou decolagem.A pista será liberada, disse Santos
quando o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, liberar recursos para a recuperação da rodovia. Uma audiência de políticos paraenses com Padilha, na manhã de hoje, em Brasília, teria sido cancelada sem maiores explicações.O deputado José Priante (PDMB) soube que o senador Luiz Otávio Campos (PPB), acompanhado de deputados que apóiam o governador Almir Gabriel (PSDB) iriam ser recebidos por Padilha. Irritado, Priante teria ligado para o senador e presidente do PMDB, Jáder Barbalho, comunicando o fato. Priante já teria obtido de Padilha a promessa da liberação imediata de R$ 1,7 milhão para obras emergenciais na Transamazônica.
Produção - Enquanto isso toda a produção de cacau de Uruará está encalhada nas estradas que dão acesso à rodovia. "É uma indignidade o que estão fazendo conosco ", protesta o presidente da Associação dos Pequenos Produtores Rurais do município, Napoleão Tavares de Andrade. Ele também acusa o prefeito Lazarini de ser um homem "totalmente omisso" em relação aos problemas do município.
Lazarini se defende. Diz que o fechamento do aeroporto faz parte de uma estratégia de adversários políticos para desgastá-lo. "Se eu vivo em Belém é porque estou tentando resolver os problemas de Uruará junto ao governo do Estado."


