Rio - Quatro igrejas repartem mais da metade dos 26,1 milhões de evangélicos do País. Juntas, a Assembléia de Deus, a Batista, a Congregacional Cristã do Brasil e a Universal do Reino de Deus têm 15,4 milhões de fiéis, segundo dados do Censo 2000. Essas instituições são as principais responsáveis pelo surpreendente crescimento de 70% da população evangélica que ocorreu nos anos 90, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O que aproxima as quatro igrejas e faz delas um sucesso é a forma como se multiplicam com facilidade em todas os Estados, cidades e bairros do País. Isso ocorre porque a maioria dessas igrejas dá autonomia aos fiéis para arrebanhar novos membros, explica a pesquisadora do Instituto de Estudos da Religião (Iser), Clara Mafra.
‘‘Ao contrário da Igreja Católica, elas são dinâmicas, crescem rápido e dão liberdade para lideranças locais construir novos templos.’’ A campeã das evangélicas é a Assembléia de Deus. Segundo o censo, ela tinha 8,1 milhões de fiéis em 2000. A maioria deles é mulher, jovem e tem baixa renda. A estratégia da Assembléia é crescer com a ajuda de seus fiéis e de seus templos. São mais de 100 mil igrejas em 95% das cidades brasileiras, segundo estimativas da assessoria de imprensa da Assembléia. ‘‘Nós damos ênfase no trabalho leigo. Todo membro da igreja é estimulado a compartilhar de sua fé. Nós conquistamos novos membros porque acreditamos que religião não é uma coisa parada, é dinâmica e tem participação dos leigos’’, explica Ciro Mello, da Convenção Geral das Assembléias do Brasil.
Segundo a especialista do Iser, Clara Mafra, havia um crescimento da população evangélica desde 1940 da ordem de 5% ao ano, mas nos anos 90 ele pulou para 7%/ano. O IBGE ainda não sabe quais foram as igrejas evangélicas que mais cresceram na década de 90, mas o cálculo deve ser feito até o final do ano. ‘‘Este censo realmente revela o avanço dos evangélicos, mas não sabemos que igreja cresce mais’’, disse a técnica do IBGE, Nilza Pereira.
O censo, divulgado anteontem, mostrou que desde 1991 os católicos tiveram uma queda de 10 pontos porcentuais. Eram 83,8% da população em 1991 e agora representam 73,8%. E, além dos evangélicos, cresceram também aqueles brasileiros que se dizem sem religião – de 4,8% para 7,3%.
O sucesso das grandes grupos evangélicos está levando a uma proliferação de novas e múltiplas igrejas evangélicas. Alguns exemplos são a Jesus Cristo é o General, Fé para Vencer, Voz que Clama no Deserto, Surfista de Cristo e Primitiva do Senhor.
A estudante Fabiana Custódio, 24 anos, é uma nova adepta da Primitiva. Com a irmã, Flavia, de 21 anos, ela frequenta o templo que fica perto de sua casa, em Niterói (RJ). A mãe de Fabiana também é evangélica, mas é membro da Congregacional Cristã do Brasil. ‘‘Eu não me sentia bem na Congregacional porque é tradicional. A minha igreja tem mais jovens, me dá mais liberdade.’’

mockup