População estranhou o projeto da Catedral
Arquivo FolhaMarcoCatedral Nossa Senhora da Glória, projeto inspirado no primeiro foguete lançado na órbita da TerraA construção da Catedral Nossa Senhora da Glória foi um marco na história de Maringá e também na vida de d. Jaime Luiz Coelho. O projeto, moderno demais para a época, chegou a receber críticas da população, obrigando o arcebispo a dar explicações sobre a obra ao Núncio Apostólico, representante do Papa no Brasil.
Estudioso e pragmático, d. Jaime demorou para idealizar o projeto da catedral. Ele não mudou de idéia e fez valer a decisão de construir um monumento moderno. Nada de muitas torres, como era comum nas catedrais mais antigas.
Para chegar a uma definição, d. Jaime costumava observar as construções mais modernas da época e fazia um teste quando olhava uma fotografia com algum edifício diferente. Sobre uma fotografia de um ginásio de esportes de Ribeirão Preto (SP), o arcebispo desenhou uma cruz. Coloquei a cruz e pensei: quem sabe a catedral não pode ser como este ginásio.
A mesma experiência foi feita com a fotografia estampada em jornais da época do Sputnik, primeiro foguete espacial lançado na órbita da Terra no final dos anos 50. Dias depois d. Jaime já estava encomendando o projeto da catedral com o formato do foguete ao arquiteto José Augusto Bellucci, de São Paulo.
Com o projeto em mãos, o arcebispo fez algumas alterações nas coroas em torno da torre. O arquiteto tinha planejado as coroas em formato oval, mas dom Jaime preferiu o estilo em pontas. A obra foi iniciada em julho de 1959, com recursos de quermesses e ajuda do município, e só foi concluída em 1972.
A demora se deveu à paralisação da obra por quatro anos, por causa da eliminação de uma lei que incentivava a construção da catedral, pelo prefeito João Paulino Veira Filho (1960-1964).
O projeto, entretanto, não havia sido totalmente aprovado pela população. Sei que houve uma pessoa que me considerava um louco, mas hoje sei que ele se enche de orgulho em mostrar a Catedral aos visitantes. As críticas feitas em Maringá chegaram até o Núncio Apostólico, Armando Lombardi, que convocou dom Jaime para uma reunião. Fui até o Rio de Janeiro explicar que a obra era uma catedral moderna. A obra ocupa a 10ª colocação no ranking dos monumentos mais altos do Mundo.





