São Paulo, 28 (AE) - A pesquisa de Condições de Vida na Região Metropolitana de São Paulo mostra que a população da região está envelhecendo. Em 1998, quando foram coletados dados para a pesquisa, 3,8% da população tinha mais de 70 anos. Em 1994, esse índice era de 3,2%.
A diretora de Análise da Seade, Felícia Madeira, lembra que o crescimento das camadas mais velhas é consequência da queda da taxa de fecundidade verificada nos últimos anos. "Trata-se de um desafio muito grande para a sociedade, pois o aumento do número de idosos significa mais atenção e um custo social maior", alerta.
Felícia ressalta que grande parte da população ainda é formada por jovens na faixa etária entre 10 e 29 anos. "Muitos moram na periferia, onde a violência é grande e há carência de escolas e mercado de trabalho para eles." Um dos resultados mais positivos do levantamento refere-se à educação. Os pesquisadores constataram que, nos últimos anos, o habitante da Grande São Paulo tem frequentado mais os bancos escolares. A média de anos passados na escola passou de 6,8 - em 1994 - para 7,5 anos.
Ao procurar emprego, porém, o paulistano e os moradores de municípios vizinhos têm encontrado cada vez mais dificuldade, pois o desemprego aumentou. As famílias também passaram por transformações. Cresceu, por exemplo, o número de pessoas que moram sozinhas e a quantidade de famílias chefiadas por mulheres.
Violência - Pela primeira vez, os técnicos da Seade fizeram um levantamento sobre a violência na Grande São Paulo. Foi constatado que, no ano passado, 19,9% das famílias pesquisadas tiveram um membro vítima de roubo ou furto. Das vítimas, 43,1% recorreram à polícia. "Não é uma análise precisa da violência, pois levamos em consideração apenas crimes contra o patrimônio", diz o pesquisador Renato de Lima.
Gastos sociais - O diretor-executivo da Seade, Pedro Paulo Martoni Branco, considerou o resultado global da pesquisa satisfatório. "Houve uma evolução muito grande nos dados, até porque os gastos sociais realizados pelo governo hoje são maiores do que há alguns anos", diz Branco. "Basta lembrar que
atualmente, o sistema educacional atende a demanda da região", exemplifica.
O diretor salienta que é importante não confundir condições de vida com qualidade de vida. "Caso estivéssemos pesquisando qualidade de vida, deveríamos considerar outros fatores, como meio ambiente."

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