Sid Sauer
Enviado a Boa Esperança
Uma idéia simples implantada há dois anos em Boa Esperança (56 km a oeste de Campo Mourão) fez com que a inadimplência do IPTU no município caísse de 60% para 20%. Trata-se do ‘‘IPTU Participativo’’, idealizado pelo prefeito Cláudio Gotardo (PSDB), que dá o direito a todos os contribuintes em dia com o imposto a participarem de uma eleição para a escolha de uma obra a ser construída na cidade.
‘‘O dinheiro do IPTU fica numa conta especial que não tem nem talão de cheque’’, conta o prefeito. ‘‘A prefeitura só mexe nele para construir a obra escolhida’’. Este ano, 10 obras estão concorrendo (veja relação ao lado). Elas foram apontadas em reuniões realizadas pela prefeitura com os moradores da cidade. A apuração será feita no dia 7 de setembro, durante festa promovida pela igreja, e a obra vencedora deve começar a ser construída ainda este ano.
Das duas obras já escolhidas nos dois primeiros anos do programa, uma está pronta e outra está em fase de conclusão. A obra pronta é a duplicação e iluminação das duas principais avenidas da cidade - a Amazonas e a 6 de Março -, que foram escolhidas na votação de 1997. A vencedora do ano passado - um posto de saúde - está em obras e deve ser inaugurada até o dia 14 de dezembro, quando Boa Esperança completa 35 anos.
Nem sempre, no entanto, o dinheiro arrecadado pelo IPTU é suficiente para bancar a construção da obra escolhida. Foi o que aconteceu no ano passado com o posto de saúde. A prefeitura arrecadou R$ 80 mil com o imposto e a obra foi orçada em R$ 140 mil. O jeito foi pedir ajuda a um deputado federal para incluir recursos a Boa Esperança no orçamento da União. ‘‘Hoje o IPTU é um imposto respeitado pela população’’, comemora Gotardo.
Os R$ 80 mil que são arrecadados anualmente com o imposto representam quase metade da arrecadação mensal de Boa Esperança. ‘‘Pode se pouco para uma cidade maior, mas para nós é uma fortuna’’, diz o prefeito. Mesmo assim, ele garante que o dinheiro não faz falta para outros setores. A prefeitura está com a folha de pagamento dos 340 funcionários em dia e, se quisesse, pagaria hoje o 13º salário do funcionalismo.
Demissão de servidores? Nem pensar. Gotardo admite que o município tem mais servidores do que deveria, mas acha que demissões só trariam mais problemas para a prefeitura resolver. ‘‘O problema do desemprego é muito sério’’, diz. Dos R$ 180 mil que arrecada todo mês, Gotardo gasta cerca de R$ 100 mil para pagar os servidores. Mesmo assim, ainda sobra dinheiro para construir calçadas de graça para a população e até para distribuir prêmios.
Além do direito de escolher uma obra para ser construída na cidade, o contribuinte que mantém o IPTU em dia em Boa Esperança também concorre a 10 prêmios, incluindo uma televisão, uma máquina de lavar roupas e um forno microondas, entre outros eletrodomésticos. Mais: ganha pedra e areia da prefeitura para a construção de calçadas. ‘‘Já fizemos mais de 15 mil metros de calçadas nesses últimos dois anos’’, ressalta Gotardo.

OBRAS ‘CANDIDATAS’
- Parque de eventos
- Capela Mortuária
- Recapeamento de asfalto
- Reforma do ginásio de esportes
- Urbanização das entradas da cidade
- Iluminação da Av. Brasil
- Iluminação da R. Alagoas
- Reforma do cemitério
- Quadras de areia com parque infantil
- Salão para bailes e eventos

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