Curitiba - Metade dos municípios do Paraná tiveram perda populacional entre 1991 e 2000. Essa é a constatação do Censo de 2000, último realizado no Brasil pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No Estado, dos 399 municípios, 197 apresentaram queda no número de habitantes. Outros 130 municípios (32,6% do total) apresentaram alta na população de no máximo 1,5%. Apenas 28 cidades paranaenses (7% do total) tiveram um crescimento populacional acima de 3%. Essa queda no número de habitantes preocupa os prefeitos, já que o Censo do IBGE é o dado ofical para que o governo do Estado e federal repasse algumas verbas para os municípios.
A maioria das cidades que mais perderam população, segundo o Censo do IBGE, são pequenas. O município que apresentou a maior queda foi Diamante do Oeste (80 quilômetros a oeste de Cascavel), com uma baixa de 6,93% em sua população. Em seguida vem Nova Tebas (90 quilômetros a sudeste de Campo Mourão), com uma diminuição de 6,7% no número de habitantes, e Lidianópolis (130 quilômetros ao sul de Apucarana), que perdeu 3,9% de seus moradores entre 1991 e 2000. O presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), Joarez Henrichs, contesta os números do IBGE. ''O governo federal não poderia ter cortado os recursos do IBGE para realizar outro censo em 2005, como estava previsto. Isso faz com que os números fiquem defasados'', reclamou.
Henrichs deu como exemplo de erro a cidade de Barracão (90 quilômetros a oeste de Francisco Beltrão), onde ele é prefeito. No Censo 2000 do IBGE, consta que a cidade apresentou queda de 0,47% na população entre 1991 e 2000, mas o presidente da AMP garante que houve um crescimento de cerca de 8 mil pessoas para 10 mil. Com a diminuição populacional, as cidades ganham menos recursos para saúde, transporte e merenda escolar, salário eduação e principalmente na divisão do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), verba repassada pelo governo federal. ''O Censo está errado até nas cidades que apresentam maior crescimento. Muitas delas apresentaram aumento na população bem maior do que o apontado pelo IBGE'', alegou.
Henrichs afirmou que cada prefeitura do Paraná vai entrar individualmente com recurso contra os dados no próprio IBGE e a AMP vai propor uma ação conjunta. O prazo para o recurso é de 30 dias a partir de ontem. Caso os números não sejam desconsiderados, o presidente da AMP garante que vai entrar na Justiça.
A cidade que apresentou o maior crescimento populacional no Paraná, segundo o IBGE, foi Rio Bonito do Iguaçu (125 quilômetros a oeste de Guarapuava). Das 28 cidades do Paraná nas quais a população mais cresceu, 12 estão na região metropolitana de Curitiba (RMC). Entre elas estão Fazenda Rio Grande, que aumentou em 10,9% sua população entre 1991 e 2000, Piraquara, que cresceu 9,92%, Campina Grande do Sul, com aumento de 6,73% no número de habitantes e Campo Magro, com alta de 6,01% na população.

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