A população de jovens negros ultrapassou a de brancos, segundo o estudo População Jovem do Brasil, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Rio de Janeiro. Em 1980, 54,7% dos brasileiros com idades entre 15 e 24 anos declaravam-se brancos, contra 44,8% de negros. No censo de 1991, os dados se inverteram: 50,5% dos jovens diziam-se negros e 49,2%, brancos. ‘‘O censo de 1991 foi acompanhado de forte campanha de conscientização pelo movimento negro e isso contribuiu para que tivéssemos dados mais seguros’’, acredita o demógrafo Juarez de Castro Oliveira.
O estudo compara os censos de 1980, 1991 e dados da contagem da população de 1996. Segundo Oliveira, o trabalho mostra que houve aumento da população jovem. Em 1980, eles eram 25 milhões. Dezesseis anos mais tarde, esse número salta para 31 milhões. ‘‘Esse é justamente o grupo que tem pressionado a economia a criar novos postos de trabalho’’, diz Oliveira.
Para ele, a tendência de crescimento da população jovem persiste, mas está desacelerada. ‘‘Em 2005, 2010 é possível que apresentemos uma taxa negativa de crescimento’’, afirma. ‘‘Isso facilitará os planejadores de educação, por exemplo, que poderão prever o número de crianças que vai entrar no ensino médio naquele período’’.
O estudo analisa ainda a situação das mulheres jovens. Vinte e oito por cento das mulheres com idades entre 15 e 24 anos são casadas. Esse dado chega a 44,45% quando são observadas apenas mulheres entre 20 e 24 anos. As famílias chefiadas por jovens em todo o Brasil correspondem a 7,6% das 42.046.373 famílias. Desse percentual, moças de 15 a 24 anos são responsáveis pelo sustento em 29,7% dos lares. ‘‘Estas famílias são pobres, cerca de 36,6% delas viviam com apenas dois salários mínimos’’, diz o estudo das demógrafas Ana Lúcia Sabóia e Sílvia Bregman, que leva em consideração dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 1995.

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