População de cidade do MT protesta contra Ibama
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domingo, 26 de março de 2000
Por Nelson Francisco 
Cuiabá, 27 (AE) - A população da cidade de Sinop, a 500 quilômetros de Cuiabá, parou hoje em protesto pela atuação do Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), sob intervenção há quatro meses por causa de denúncias de corrupção, desmandos administrativos e falhas na fiscalização. A passeata pelas ruas e a manifestação em frente ao escritório do órgão ambiental reuniram mais de 15 mil pessoas. O movimento foi organizado pelo Sindicato das Indústrias Madeireiras do Norte do Estado (Sindusmad).
"O setor está de mãos amarradas e é hora de mostrarmos alguma reação", disse Nereu Passini, presidente do Sindusmad. O comércio, escolas e repartições públicas fecharam as portas em solidariedade aos madeireiros. O apoio da população ao setor se justifica: a madeira é responsável por 50% da economia local. São mais de 400 estabelecimentos comerciais entre madeireiras, marcenarias e indústrias de móveis.
O protesto coincidiu com a visita do governador Dante de Oliveira (PSDB), que foi à cidade inaugurar obras. Dante recebeu por escrito as reclamações dos madeireiros contra o Ibama e garantiu que vai se reunir com o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, para tentar solucionar os problemas envolvendo o órgão ambiental em Mato Grosso.
O prefeito de Sinop, Adenir Alves Barbosa (PTB), baixou decreto, datado do dia 24, estabelecendo esta segunda-feira como ponto facultativo "em solidariedade ao movimento do segmento madeireiro". Por causa da madeira, Sinop foi um pólo atrativo de atração migrantes do sul do País nas décadas de 60 e 70. Atualmente o município tem uma população de 26 mil habitantes, segundo a última contagem populacional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O interventor do Ibama em Mato Grosso, Reginaldo Anaissi
disse que todas as providências estão sendo tomadas para normalizar a fiscalização do comércio madeireiro. A intervenção, segundo ele, deve durar mais três meses para apurar o envolvimento de funcionários na aprovação irregular de projetos de plano de manejo para extração de madeira e Autorização para o Transporte de Produtos Florestais (ATPFs), entre outras denúncias.


