População da Zona Norte sofre com falta de médico
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quinta-feira, 10 de março de 2011
Paula Costa Bonini <br> Reportagem Local 
Londrina - Na manhã de ontem, o garçom Luciano Covino recebeu uma ligação indesejada: a consulta que ele estava esperando havia quase quatro meses foi cancelada e não há previsão para outro agendamento. A justificativa é que a Unidade Básica de Saúde do Conjunto Habitacional Chefe Newton Guimarães (Zona Norte) está sem médico.
''Não sei quando vou remarcar a consulta. Estou com os exames prontos, mas a atendente do posto simplesmente disse que o local está sem médico. A situação está decadente, vergonhosa. Sinto-me como um cachorro'', desabafou Covino, que tem uma doença crônica e necessita de acompanhamento periódico.
O problema, mais uma vez, é a falta de médicos. O diretor-executivo da Secretaria Municipal de Saúde, Márcio Makoto Nishida, explicou que o profissional em questão é contratado pela oscip Gálatas. ''Ele não está atendendo porque quer receber aumento assim como os plantonistas estatuários. Mas ele não é nosso servidor, é contratado por termo de parceria. Já passamos a situação para a oscip e pedimos a substituição do médico'', explicou. Ele acrescentou que o órgão não vai interferir no caso, pois entendem que a responsabilidade é da Gálatas.
A falta de médico na UBS do Chefe Newton está longe de ser o único problema da saúde pública de Londrina. Devido à crise, a Câmara Municipal aprovou no mês passado o pacote de projetos para a área. A previsão é remanejar cerca de R$ 5,5 milhões do Fundo Municipal de Saúde para contratar - junto a clínicas particulares - médicos para assistência em clínica geral, pediatria e ginecologia. Deverá ser criado ainda um plano para o incentivo aos plantonistas dos prontos atendimentos municipais e gratificação para coordenador e supervisor dos agentes de endemias. O pacote, sancionado no dia 4 de março pelo prefeito Barbosa Neto (PDT), vai abrir 130 vagas para enfermeiros, auxiliar de enfermagem e administrativos. A previsão da Secretaria de Saúde é que o edital do Pacote da Saúde seja finalizado em três dias.
A diretora da Oscip Gálatas, Gláucia Chiararia, acredita que o ''Pacote da Saúde'' vai resultar no afastamento de médicos contratados por meio das organizações. ''Já tem médico questionando as medidas previstas no pacote, como a contratação das especialidades e o aumento de salário'', disse. Ela argumenta que o médico que atende no Chefe Newton apresentou atestado e, por isso, não está trabalhando. ''Hoje vamos conversar com ele sobre sua situação''.


