População brasileira chega a 169 milhões
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sexta-feira, 22 de dezembro de 2000
Agência Folha De Brasília 
A população brasileira está crescendo num ritmo cada vez menor. De 1991 a 2000, o total de habitantes brasileiros passou de 146.825.475 para 169.544.443. Uma taxa de crescimento anual média de 1,63%.
São 22.718.968 pessoas a mais vivendo no País, segundo o Censo Demográfico de 2000, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Se o País tivesse crescido às mesmas taxas da década de 80, seriam mais de 174 milhões de pessoas morando no País. Desde a década de 60, o ritmo de crescimento populacional vem caindo.
Entre 1961 e 1970, a taxa era de 2,89%. Na década seguinte, de 1971 a 1980, caiu para 2,48%. E de 1981 a 1991 o crescimento médio anual foi ainda menor: 1,93%.
Mesmo com a queda em seu crescimento populacional, nos últimos nove anos o Brasil cresceu o equivalente a mais de duas vezes a população de Portugal, que é de 9,98 milhões de pessoas.
Os dados do Censo divulgados ontem mostram ainda que 81,2% da população brasileira vive na zona urbana em 2000. No último censo, em 1991, esse percentual era de 75,6%. O Censo indica ainda que para cada 100 mulheres no País, existem 96,9 homens.
A queda acentuada do crescimento demográfico se deve à diminuição do número de filhos por mulher. Em 1984, cada mulher tinha em média 3,5 filhos. No início da década, 2,6. Em 2000, estima-se que cada mulher tem 2,2 filhos.
A queda de fertilidade da mulher veio acompanhada do aumento de expectativa de vida. A expectativa de vida das mulheres brasileiras é de 72,3 anos ao nascer, e a dos homens, 64,6 anos. No início do século, a média era de cerca de 35 anos.
Se for mantido o atual ritmo de crescimento populacional, em cerca de 45 anos o Brasil pode dobrar sua população. Mas é difícil saber qual será o comportamento cultural do brasileiro com relação à reprodução, afirmou Luiz Antônio Pinto de Oliveira, diretor do Departamento de População do IBGE.
O Censo de 2000 revelou a existência de 3 milhões de pessoas a mais que as estimativas do governo. Segundo o ministro do Planejamento, Martus Tavares, os investimentos em tecnologia e em gerenciamento permitiram o levantamento mais preciso da história brasileira. Foram investidos R$ 700 milhões na pesquisa. Isso significa que, para cada pessoa contada, o governo gastou mais de R$ 4,00.
O País está cada vez mais feminino. Hoje, para cada 100 mulheres há 96,9 homens. São 2,7 milhões de mulheres a mais que homens. Em 1991, havia 97,5 homens para cada 100 mulheres.
As mulheres se beneficiam mais das reduções das taxas de mortalidade que os homens, afirmou Alícia Bercovich, técnica do IBGE.
O Brasil também ficou mais urbano nos últimos nove anos. Para cada pessoa vivendo no campo existem 4,32 morando em cidades. Do total da população, 81,2% - ou 137.697.439 pessoas - vivem em zonas urbanas. Há nove anos, as cidades abrigavam 110.990.990 pessoas, ou 75,6% da população.
Enquanto 26.706.449 pessoas passaram a viver em zonas urbanas entre 1991 e 2000, a população rural perdeu 3.987.481 de pessoas. Eram 35.834.485 vivendo no campo, hoje são 31.847.004.
No Censo realizado em 1960, a população rural ainda era maior que a urbana. Foi na contagem de 1970 que, pela primeira vez, a população urbana superou a rural. Na década de 60 a urbanização do Brasil significava a passagem de uma economia rural para uma industrial. Significava desenvolvimento. Atualmente significa problemas, diz Wanda Engel.
O crescimento da população urbana não se deve apenas ao êxodo rural e ao inchamento das grandes cidades, de acordo com Alícia Bercovich.
O IBGE considera população urbana qualquer pessoa que viva no perímetro urbano de um município, o que é definido pela própria prefeitura em lei municipal.
Segundo o Banco Mundial, na média, 46% da população mundial vive em zonas urbanas. Na América Latina, 75%. Mas o Brasil não é o país mais urbanizado na América do Sul. Na Argentina, por exemplo, 90% dos habitantes vivem em zonas urbanas.
Wanda Engel afirma que o processo atual de urbanização é menos caótico que o de algumas décadas atrás. No passado, as metrópoles de São Paulo e do Rio de Janeiro cresciam a médias superiores que o resto do País. O Censo de 2000 confirmou uma tendência verificada em 1991, a de que capitais regionais e as cidades de médio porte estão crescendo mais que São Paulo e o Rio.


