Curitiba- Foi com um abraço comovido que integrantes da família de Zilda Arns Neumann, fundadora da Pastoral da Criança, receberam ontem as centenas de pessoas que foram ao Palácio das Araucárias, em Curitiba, prestar a última homenagem à médica. Durante todo o dia, filhos, sobrinhos, netos e outros familiares se revezaram para receber autoridades, empresários e anônimos que estiveram no velório. ''Há muito tempo que a tia tinha o sobrenome de tantas milhares de crianças que ela ajudou'', declarou Clóvis Arns, sobrinho e afilhado de Zilda.
Clóvis Arns agradeceu em nome da família as mensagens de condolências recebidas. ''É com um pouco mais de solidariedade que vamos construir um país melhor, que era o grande sonho dela'', disse.
O corpo de Zilda Arns chegou pouco depois das 10 horas no Aeroporto Afonso Pena, a bordo de uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB). No mesmo voo estavam o senador Flávio Arns, sobrinho da médica, o chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho e a freira Rosângela Maria Altoé, que acompanhava Zilda na viagem ao Haiti (ver texto na página). Integrantes e amigos da família Arns foram até a pista do aeroporto acompanhar o desembarque do caixão, que foi recebido com uma salva de palmas. O corpo foi transportado diretamente para o Palácio das Araucárias em um caminhão do Corpo de Bombeiros.
Familiares e amigos participaram de breve oração na chegada do caixão ao local do velório. Em seguida foi aberta a visitação do público. A líder comunitária e voluntária da Pastoral da Criança Maria Olina Aparecida fez questão de ser a primeira na fila das pessoas que aguardavam desde cedo para se despedir de Zilda Arns. ''Não queria que não tivesse ninguém aqui'', declarou. A amiga dela, irmã Justina Angela Basso, lembrou da revolução promovida pela médica na proteção a crianças. ''Ela mostrou que não precisa de muitas coisas. Coisas simples, ajuda para a gestante, informação. Ela ensinou que gravidez não é doença, mas precisa de cuidados''.
Além de anônimos, o velório recebeu a visita de empresários e autoridades. O governador Roberto Requião compareceu ao local acompanhado do presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP). Ele defendeu a criação de um prêmio nacional em homenagem à Zilda Arns e a indicação póstuma dela ao Nobel da Paz. Já Temer destacou que a médica é uma das pessoas ''que vem para a Terra para dar exemplo''. ''Nessa trágica morte ela deixa um exemplo do respeito que as pessoas tem por ela'', declarou.
No início da tarde o arcebispo primaz do Brasil, Dom Geraldo Magela Agnello, celebrou uma missa no local do velório e a visitação do público foi interrompida. Dom Geraldo lembrou que Zilda Arns era uma pessoa ''que se preparou muito para vida e que fazia o que fazia por amor''.
O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), também esteve no velório. Junto com ele, o prefeito de Curitiba Beto Richa (PSDB) aproveitou para adiantar que a Prefeitura da capital já estuda uma forma de homenagear Zilda Arns. Também esteve no velório o governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira (PMDB). ''Santa Catarina vive um momento de emoção e eu aqui interpreto esse momento, porque, embora ela não tenha vivido a maior parte do seu tempo no nosso Estado, a dona Zilda foi uma mulher que sempre teve o nosso Estado no coração, e a sua obra social se estendeu pelo nosso Estado de maneira muito forte, de modo que a minha presença aqui interpreta esse sentimento de saudade e de pesar.''
Segundo a coordenação nacional da Pastoral, caravanas de voluntários de todo o Brasil ainda são esperadas nesse sábado. A previsão é que o velório siga aberto ao público até as 14 horas, quando será realizada uma missa pública em homenagem à Zilda Arns. Logo após a celebração, o caixão será levado para o Cemitério Municipal do Água Verde, onde será sepultado em cerimônia só para familiares.

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