Pontos que podem ruir na Estrada da Ribeira não terão contenção
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terça-feira, 20 de setembro de 2005
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Apesar do desmoronamento de terra que aconteceu na Estrada da Ribeira, entre Curitiba e Adrianópolis, no último final de semana, o Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (Dnit) não deve fazer obras de contenção no ponto da encosta que desabou nem em outros 26 que também oferecem risco. Isso porque a estrada não é considerada prioritária e, segundo o órgão, os recursos são destinados para outras obras consideradas mais importantes. Cerca de 60 toneladas de terra e pedras desmoronaram na madrugada do último sábado, bloqueando completamente o KM 23. A rodovia só deve ser liberada para o tráfego na sexta-feira.
A Estrada da Ribeira é como ficou conhecido um trecho de 133 quilômetros BR-476. Ela começou a ser reformada em 2000 e, se não tivesse acontecido o desmoronamento, seria inaugurada hoje com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A melhoria do trecho é reivindicação antiga da população da região de Adrianópolis, que encontrava dificuldade para escoar produtos agrícolas e a produção da indústria local.
O engenheiro do Dnit, Ronaldo Jares, responsável pelo trecho, explicou que os cortes dos morros laterais da estrada são os mesmos da época em que ela foi construída, em 1928, e por isso não têm a inclinação adequada. Ele disse que a alteração não estava prevista no projeto de restauração por não ser uma rodovia prioritária. A reforma da estrada custou R$ 52 milhões.
Hoje serão dinamitadas as pedras que caíram na estrada para terminar o trabalho de retirada dos detritos. Depois disso, explicou o coordenador do Dnit no Paraná, David Gouvêa, será feita avaliação de risco para ver se é preciso ou não de uma obra de contenção. ''Toda região de serra está sujeita a desmoronamentos. Então é preferível o risco do que gastar tudo que temos onde o risco não é iminente'', afirmou.
A estrada da Ribeira vai ficar sob a responsabilidade do Dnit só até dezembro. Em janeiro do ano que vem ela passa a fazer parte dos trechos que foram transferidos pelo governo federal ao governo estadual por meio da Medida Provisória (MP) 82. Hoje fazem parte da MP 945 quilômetros, que estão em péssimo estado porque o Departamento de Estrdas de Rodagem (DER) do Paraná não reconhece a transferência já que a MP foi vetada em 2002. O Dnit alega que a transferência foi efetivada e o dinheiro (R$ 130 mil por quilômetro) repassado.
Além de não se reconhecer como responsável pelos trechos, o DER alega estar alertando o Dnit dos sérios problemas das rodovias federais no Estado. O DER interditou o trecho da BR-476 entre São Mateus do Sul e Paulo Frontin por causa do mau estado, avisou sobre o estado precário da BR-272, que possui uma ponte com problemas estruturais e ontem informou que está ''mais um vez alertando para o precário estado de conservação da BR-163, entre Guaíra e Marechal Cândido Rondon, e novamente da BR-272, entre Guaíra e Franciso Alves.''


