Imagem ilustrativa da imagem Ponto turístico de Londrina, barragem do Igapó não tem plano de segurança
| Foto: Gustavo Carneiro/Grupo Folha



Ponto turístico que recebeu luzes que tornam a atração ainda mais bonita no período noturno, a barragem do Lago Igapó 1 não tem histórico de inspeções de estabilidade. A ausência de fiscalização é admitida em resposta da Ouvidoria-Geral do Município de Londrina a pedido de informação formulado pelo grupo Fiscaliza Londrina, com base na Lei de Acesso à Informação. A solicitação foi feita após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG).

"Considerando isso e a inauguração da nova iluminação, pedimos informações sobre previsão de gastos de energia elétrica e sobre a segurança da barragem, mas nenhuma inspeção foi realizada e eles não possuem informações sobre a situação da barragem", afirma Ronan Botelho, um dos membros do Fiscaliza Londrina.

Na resposta, a Diretoria de Projetos da Secretaria Municipal de Obras admite a ausência de estudos sobre estabilidade da barragem, mas também afirma que, a pedido do Instituto das Águas do Paraná, está em elaboração um termo de referência para contratação de serviços especializados para elaborar o plano de segurança, inspeção regular e revisão periódica das três barragens do Igapó. A estimativa é que o processo de contratação seja concluído em março.

Por meio da assessoria de imprensa, o Instituto das Águas esclareceu que a solicitação foi encaminhada ao Município no último dia 20 de dezembro com base em decreto estadual publicado no dia 4 sobre planos de segurança de barragens. Fiscalização do instituto confirmou que a barragem do Igapó 1 não possui plano de segurança e por isso, ela foi classificada com risco médio. O estudo que aponta as medidas na área de segurança pode modificar a classificação da barragem. Segundo o órgão, a Prefeitura de Londrina tem até dois anos para apresentar o plano de segurança.

Situação favorável

Especialista em geotecnia (área que estuda o comportamento do solo e das rochas sob intervenção das ações humanas), o engenheiro civil Carlos José Marques da Costa Branco afirma que a barragem do Igapó 1 tem uma característica favorável por ser construída sobre rocha basálticas. "Elas resistem, aproximadamente, dez vezes mais que o concreto", explica. Além disso, é classificada como barragem de gravidade aliviada, na qual as paredes são amparadas pelos vertedouros, que funcionam como apoio e para dar vazão à água. Porém, apesar da opinião profissional, ele ressalta que só um laudo oficial pode garantir a situação seguramente.

Para o engenheiro civil, é importante a execução de manutenção nas juntas de dilatação entre as paredes de concreto, nas comportas e nos vertedouros. "Talvez seja importante se preocupar com as outras barragens", afirma Costa Branco, responsável pelo projeto do Lago 2. "Ali a dificuldade [de construção] é maior, porque a barragem foi feita sobre um solo de argila mole, bem diferente da rocha", explica. Costa Branco assumirá a presidência do Ceal (Clube da Engenharia e Arquitetura de Londrina) em abril deste ano.

Iluminação

Em resposta a outro pedido de informações, a Ouvidoria-Geral da prefeitura informou que a barragem do Lago Igapó 1 recebeu 25 projetores com lâmpadas de vapor de sódio, de potência de 150 watts cada. A estimativa de consumo mensal é de 1.512 KWh, a um custo aproximado de R$ 670.

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