O excesso de zelo com a segurança está desagradando ao papa João Paulo 2º. Ele não gostou de ter se deparado com 800 soldados do Exército armados com fuzis FAU e conduzindo cães em sua chegada ao Palácio Laranjeiras, onde se encontrou com o presidente Fernando Henrique Cardoso ontem pela manhã. João Paulo 2º teria pedido que o esquema de segurança fosse menos ostensivo. Pelo menos no Laranjeiras foi atendido. Na saída, os fuzis e os cães haviam sido recolhidos.
Os responsáveis pela segurança do papa não se pronunciaram oficialmente sobre o pedido, mas algumas providências já estão sendo tomadas, como no esquema armado no Sumaré, residência oficial do arcebispo dom Eugenio Sales, onde João Paulo 2º está hospedado. Responsável pela segurança feita pelo Exército no local, o coronel Eduardo Luís Oliveira Costa informou ontem que está evitando ao máximo que o papa veja os soldados que vigiam a área.
Oliveira disse ter tomado a decisão após ouvir comentários de que o chefe da Igreja Católica havia considerado a vigilância excessiva. ‘‘Ouvi comentários, mas, por enquanto, não chegou nada de oficial’’, disse o militar. Por precaução, ordenou a seus homens que não ficassem à vista quando o papa estivesse passando - saindo ou voltando para a casa do cardeal. O Sumaré é guardado por 150 soldados do Exército, 90 policiais militares e 120 policiais federais.
Fora do alcance dos olhos do papa, no entanto, os soldados do exército continuam fortemente armados, como no Maracanã, onde acontece hoje a Festa do Testemunho. Dezenas de soldados armados com fuzis e vestidos com uniformes camuflados estavam espalhados, na tarde de ontem, em torno do estádio, mesmo não tendo outra atividade no local além dos ensaios. O esquema não impediu, no entanto, que uma mulher fosse assaltada anteontem no segundo andar do estádio.
A coordenadora-geral da visita, Maria Cristina Sá, admitiu ontem que o excesso de segurança está criando algumas dificuldades e que, por isso, alguns pontos estão sendo revistos.

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