Ponte servirá de novo corredor de exportação
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sábado, 24 de janeiro de 1998
Valmir Denardin 
DivulgaçãoPonte sobre o Rio Paraná, com 3.598 metros, é a maior do PaísA ponte sobre o Rio Paraná ligando Guaíra a Mundo Novo trouxe um novo ânimo à economia principalmente das regiões Extremo-Oeste do Paraná e Sul do Mato Grosso do Sul. Com a formação do Lago de Itaipu, em 1982, as Sete Quedas - uma das principais atrações turísticas do País, na divisa dos dois estados - foram submersas e essas regiões entraram em um período de decadência.
A maior ponte fluvial do País, com 3.598 metros de extensão, está sendo apontada como a redenção econômica de uma área com dezenas de municípios. Passamos 15 anos hibernando e a ponte traz um novo ânimo, um otimismo muito grande, afirma Heliomar Gogola, presidente das Câmaras Setoriais da Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Guaíra (Aciag).
Segundo ele, a maior parte dos 600 leitos da rede hoteleira local ficou ociosa com o desaparecimento das Sete Quedas - 90% desses leitos eram ocupados por turistas. Antes da construção de Itaipu, a população de Guaíra era de 45 mil pessoas. Hoje não ultrapassa 35 mil - uma redução de 22%.
A principal vantagem da ponte será a criação de um novo corredor de escoamento da produção agrícola dos estados do Centro-Oeste e Norte brasileiros e do Paraguai para a exportação pelo Porto de Paranaguá. A partir de Cascavel (a 158 quilômetros de Guaíra), essa produção poderá seguir a Paranaguá de trem, pela Ferroeste. O governo paranaense estuda estender futuramente um ramal da Ferroeste até Guaíra.
A ponte cria também uma opção de ligação rodoviária dos Estados do Centro-Oeste e Norte com o Sul do País. Na opinião do diretor da Aciag, Guaíra se consolidará como pólo regional na divisa de Paraná e Mato Grosso do Sul, principalmente nas áreas comercial, educacional e de serviços médicos.
Outro município que aposta na ponte como fator de crescimento é Mundo Novo. A prefeita Dorcelina Folador (PT) revela que, desde o anúncio da conclusão da obra, recebe empresários interessados em investir na região. Outro resultado positivo, na opinião da prefeita, é a recuperação populacional. Segundo ela, com o alagamento de Sete Quedas a população de Mundo Novo caiu 75% - de 50 mil habitantes para 12 mil. Hoje já estamos com 17 mil, comemora.
A prefeita acredita que a ponte também será utilizada para o transporte de gado do Mato Grosso do Sul - o maior produtor brasileiro - para as grandes regiões consumidoras do País. Apostando na força pecuária do Estado, a Prefeitura de Mundo Novo está procurando empresários interessados em ocupar um frigorífico com capacidade para abater até mil bois por dia. A construção do frigorífico - que já tem 70% das obras concluídas - estava parada havia vários anos e já foi retomada.


