Sobre um trecho de leito estreito do Rio Paraná, o mais importante da parte meridional da América do Sul, ergueu-se a única ponte entre Brasil e Paraguai. A Ponte Internacional da Amizade liga a mais importante cidade brasileira de fronteira a um dos principais centros comerciais da América Latina. Nos seus 553 metros de extensão transitam diariamente cerca de 10 mil pessoas nos dias mais movimentados e 25 mil veículos de todas as partes do Brasil e do Paraguai.
Rota de carros roubados, narcotráfico e contrabando, a ponte se tornou também território de quadrilhas de trombadinhas e assaltantes. Com um efetivo invejável para uma área tão pequena - no Brasil, atuam Polícia Federal, Receita Federal e Polícia Rodoviária Federal; no Paraguai, a Polícia Nacional e a Marinha -, as forças de segurança mostram-se impotentes para proteger as vítimas, geralmente mulheres e idosos.
Uma combinação de tráfego intenso e concentrado, espaço insuficiente, falta de coordenação entre os diversos orgãos, uso de menores pelas quadrilhas, rotatividade de criminosos, dificuldade para efetuar flagrantes e o descrédito das vítimas que não registram queixas, são explicações para o problema que, por unanimidade, é considerado de difícil solução. Nesta reportagem, que ocupa as próximas três páginas, a Folha da Amizade ouviu todos os protagonistas e coadjuvantes deste microcosmo para tentar entender o que ocorre na ponte que, muitas vezes, espelha a realidade dos países que ela une.

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