Curitiba- Um ano, um mês e dez dias depois do acidente que derrubou parte da ponte sobre o Rio São João, na Serra do Mar, a América Latina Logística (ALL), concessionária que opera a malha ferroviária do Estado fez a entrega oficial, ontem, da ponte férrea recuperada. Mas as obras realizadas não são unanimidade. A ALL diz que a reconstrução respeitou a estética original da ponte. Já o Conselho Estadual do Patrimônio Histórico afirma que não foram mantidas as características originais da ponte. O Governo do Paraná exige, inclusive, por meio de ação civil pública ingressada pela Procuradoria Geral do Estado (PGE), a retomada da arquitetura histórica.
''Nós consideramos que foi uma obra de consolidação e não de restauração. Ou seja, questionamos a essência da restauração, que não respeitou a autenticidade da ponte nem as técnicas construtivas'', diz o arquiteto e membro do conselho, José La Pastina. O conselho já ganhou o primeiro ''round'' dessa briga com a ALL. No dia 9 de agosto, o juiz Fernando Andriolli Pereira, da Vara Civil da Comarca de Morretes, no Litoral do Estado, concedeu concedeu tutela antecipada solicitada pela PGE que impede que a ALL faça qualquer reparo na ponte sem a autorização da Secretaria de Estado da Cultura. O juiz exige ainda a retirada, em 30 dias, sob pena de multa diária de R$ 10 mil de todos os entulhos que porventura estejam causando poluição.
Os pontos contestados nas obras de recuperação são a utilização de um tipo de aço diferente do original; a reconstrução da lateral direita (no sentido Curitiba-Litoral) da ponte com uso de solda e não com rebites, como era antes; e a colocação de um reforço de aço, que também não existia anteriormente, na perna direita do arco (estrutura que fica embaixo da ponte).
Para o diretor de Relações Corporativas da ALL, Pedro Roberto Almeida, a posição do Governo do Estado ''é um excesso de preciosismo''. De acordo com ele, 19 dias após o acidente a ALL já havia recuperado a ponte, permitindo a passagem de trens. Mais 22 dias depois, a empresa apresentou à Secretaria de Estado da Cultura um projeto de recuperação do local, com detalhes sobre como seria a reconstrução e a retirada dos entulhos que tinham caído no local. ''A Secretaria só respondeu quase seis meses depois, dizendo que não aceitava os rebites, o reforço na estrutura, mas daí já estava tudo feito'', conta.

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