Ponte internacional completa 20 anos de uso restrito
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segunda-feira, 17 de novembro de 2014
Lúcio Flávio Moura<br> Reportagem Local 
Capanema - Em 1994, o governo paranaense bancou a construção de uma ponte sobre o Rio Santo Antônio, que separa os territórios brasileiro e argentino, a poucos quilômetros de distância da face sul do Parque Nacional do Iguaçu.
À época, o fechamento da Estrada do Colono era a justificativa para se investir em uma nova passagem fronteiriça e resolver o problema de mobilidade dos moradores de Capanema e de outros municípios vizinhos, isolados sem a via de 17 quilômetros que cortava a unidade de conservação e que reduzia consideravelmente a distância rodoviária com o Extremo Oeste do Estado.
Com a ponte, os moradores de Capanema podem alcançar Foz do Iguaçu rodando apenas 120 km em estradas da província de Missiones, igualando a distância que separava as duas cidades no período em que a Estrada do Colono estava aberta. A outra opção possível é o trajeto em torno do parque nacional, de 225 km, que inclui dois trechos relativamente longos em rodovias federais, no sentido norte pela BR-163 até Cascavel e depois no sentido sul pela BR-277.
Um acordo do Mercosul, firmado logo depois da construção da ponte e regido por um decreto presidencial de 14 de outubro de 1994, estabeleceu uma divisão no controle de alguns pontos ao longo dos mais de 1,2 mil quilômetros de fronteira entre os dois países. Com isso, uma só aduana em cada ponto de passagem seria usada por equipes de vários órgãos dos dois países.
Além da Receita Federal, a estrutura comportaria também a Polícia Federal e órgãos como o Ministério da Agricultura e a Agência Nacional da Vigilância Sanitária. No caso da ponte de Capanema sobre o afluente do Iguaçu, a Área de Controle Integrado (ACI) está a cargo de Buenos Aires, conforme o acordo. Mas, 20 anos depois, a ACI não foi instalada. Sem a estrutura, o fluxo segue restrito a turistas.
Os moradores de Capanema não se convencem que o fim do imbróglio depende mais de Buenos Aires do que de Brasília. "Os argentinos garantem que a situação está sendo resolvida e que se o Brasil montar a equipe de fiscalização, em um prazo de 15 dias já será possível fazer o desembaraço de carga", afirma Alex Marcello, secretário municipal da Indústria e Comércio de Capanema.
A prefeita Lindamir Denardin (PSDB) assegura que Capanema não vai desistir da causa tão cedo. Nos dois lados do Rio Santo Antônio, muita gente aguarda o prometido lobby dos dois governadores, Beto Richa e Maurice Closs (Missiones) junto aos respectivos governos centrais. "Até o fim do ano, queremos participar de audiências com ambos", aponta a prefeita, inconformada com o argumento de que não existe demanda para a estruturação. "Somos pequenos perto de Foz do Iguaçu e Cascavel. E certamente eles não têm interesse na existência de uma outra passagem de carga. Demanda tem. Temos até um estudo que comprova isso."
Com a confiança abalada pela paralisação nas obras da Usina Hidrelétrica Baixo Iguaçu vista como um vetor de geração de emprego de um lado e uma ameaça à integridade do Parque Nacional do Iguaçu por outro, Capanema defende a ponte internacional "turbinada" para garantir mais atividade econômica na próxima década. A outra aposta, encarada com bem mais ceticismo pela elite política e econômica da região, é a reabertura da Estrada do Colono, projeto que tramita no Senado e que recebe uma saraivada de críticas dos ambientalistas.


