A utilização de sistemas de reconhecimento facial controlados por inteligência artificial e interligados a bancos de dados já é uma realidade em vários cantos do mundo de modo que é inevitável dizer que enquanto você lê esta reportagem, milhões de pessoas estão sendo “vigiadas” em alta definição. Seja para registrar a presença de trabalhadores em um escritório da Indonésia ou ajudar a determinar a intenção de compra de um imóvel, como em uma casa de espetáculos na Austrália. O reconhecimento facial já é até um pré-requisito para a aquisição de uma linha telefônica na China e a sua popularização nos grandes centros promete ser um dos temas mais importantes no campo da tecnologia na próxima década.

Cerimônia marcou a inauguração do projeto Fronteira Tech, uma parceria entre a Abdi e o Parque Tecnológico de Itaipu
Cerimônia marcou a inauguração do projeto Fronteira Tech, uma parceria entre a Abdi e o Parque Tecnológico de Itaipu | Foto: Kiko Sierich/Futura Press/Estadão Conteúdo

No entanto, é no campo da segurança pública que a novidade, há poucos anos presente apenas em roteiros de filmes de ficção científica, parece ter encontrado grande aceitação, especialmente em locais cuja circulação de pessoas pode chegar a 100 mil por dia. Este é o caso da Ponte Internacional da Amizade, que liga Foz do Iguaçu (Oeste) à Ciudad del Este, no Paraguai, e acaba de ganhar “novos olhos”.

Nesta segunda-feira (16), uma cerimônia marcou a inauguração do projeto Fronteira Tech, uma parceria entre a Abdi (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial) do Ministério da Economia e o Parque Tecnológico de Itaipu.

De acordo com a Abdi, foram instaladas 33 luminárias inteligentes com duas câmeras cada que, além de fazerem o reconhecimento facial, também podem identificar placas de automóveis. Outras quatro câmeras fixas serão instaladas em pontos estratégicos e terão a mesma capacidade. O novo sistema também conta com outras 15 luminárias de LED com telegestão e GPS (sigla em inglês para “Sistema de Posicionamento Global”) e 11 sensores de tiros.

Segundo o superintendente da 9ª RF, o auditor fiscal Luiz Bernardi, o sistema já está armazenando informações e imagens, como placas de veículos, com muito mais precisão do que o sistema anterior. “O sistema vai processar isso tudo e emitir alertas para nós, são 76 câmeras captando imagens e ali as equipes onde estiverem vão agir. Aquele veículo com aquela placa passou dez vezes aqui, isso é algo sensível e o sistema vai alertar. Um foragido, alguém que tenha ordem de captura, também”, explicou.

Além disso, a expectativa é que os dados extraídos pelo software de Inteligência Artificial ajudem no combate ao tráfico de drogas e armas, furto de veículos, contrabando e descaminho.

Todo o sistema foi testado no Living Lab, ou Laboratório Vivo, um parque tecnológico montado em janeiro deste ano para avaliar soluções para Cidades Inteligentes. O custo total foi de R$ 5 milhões.

Segundo o presidente da Abdi, Igor Calvet, o sucesso do projeto Fronteira Tech em Foz do Iguaçu deve abrir caminho para a implantação também em outras regiões de fronteira e locais de grande circulação. "Queremos difundir e promover a adoção de tecnologias como a de Internet das Coisas, Inteligência Artificial, Big Data, dentre outras que irão fomentar a cadeia produtiva do Brasil."

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