Curitiba- Dos três produtos resultantes do tratamento de esgoto, o Paraná já é pioneiro ao reaproveitar a parte sólida. Um projeto de pesquisa que reúne sete instituições é uma oportunidade de se estudar pela primeira vez a fundo no País a reutilização dos dejetos líquidos na agricultura de oleaginosas, como pinhão manso, mamona ou girassol, para a produção de biodiesel. O terceiro produto do tratamento de esgoto, o gás metano, vai ajudar a alimentar a energia da usina de higienização a ser construída em Ponta Grossa.
Se o Brasil ainda engatinha no reuso da água de tratamento na agricultura, o México já é veterano: são 120 anos de história. A professora Blanca Jiménez, 20 anos de experiência no assunto, está acostumada a explicar o não óbvio. ''Em um primeiro momento, é difícil convencer as pessoas que, mesmo em países com abundância de água, utilizar água de esgoto tratado na agricultura é algo não apenas positivo como necessário.'' Ela fala com a propriedade de quem coordena o Grupo de Pesquisa de Tratamento e Reuso da Água da Universidade Nacional Autônoma do México, situada na capital do país.
O México é o segundo país (fica atrás da China) que mais utiliza desse recurso no mundo: são 240 mil hectares de área cultivada que se aproveitam dos benefícios do que acaba se tornando um fertilizante natural. ''A produção nessas áreas é 60% a 150% superior àquela em que é utilizado apenas água potável. No México, os terrenos que têm o benefício de serem próximos a uma usina de tratamento possuem valores entre duas e cinco vezes maior.''
Jiménez permanece em Curitiba até o dia dois de agosto para participar de um projeto de pesquisa que visa a implantação de uma usina de higienização da parte líquida do esgoto tratado em Ponta Grossa. ''Há muitas cidades no Paraná que não têm um rio com vazão suficiente para jogar o esgoto tratado nos rios sem sofrer de consequências ambientais. A alternativa de usar esse líquido na agricultura é um caminho muito interessante'', explica o gerente de pesquisa de Sanepar, Cleverson Andreoli, um dos responsáveis pelo projeto.
Junto com a empresa de saneamento, estão a Universidade Federal do Paraná (UFPR), que recebeu Jiménez como professora convidada, e outras cinco instituições em um projeto de pesquisa orçado inicialmente em R$ 400 mil, que a professora mexicana está ajudando a elaborar. Andreoli acredita que a implementação do projeto aconteça em 2009.

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