Ponta Grossa cria turmas para adequar idade e série
Curitiba - Em 2001, mais de 5 mil crianças, o correspondente a 20% dos 25.120 alunos de 1 a 4 séries do ensino fundamental em Ponta Grossa, estudavam em séries não compatíveis com sua idade. Com a substituição do sistema seriado pelo ciclado, criação de mais um ano para a alfabetização e implantação de turmas chamadas de aceleração, as escolas da rede municipal devem fechar este ano com praticamente 100% de seus alunos cursando séries adequadas à sua idade.
Segundo a diretora do Departamento de Educação do mnunicípio, Simone Neves, apesar de ter 5 mil alunos defasados, o Programa de Aceleração atingiu só 2.940 crianças que tinham mais de oito anos mas ainda não tinham chegado à 3 série. ''Os outros 2 mil vão acabar corrigindo a defasagem agora, já que estão saindo do ensino fundamental e já têm idade para frequentar um supletivo do Programa de Jovens e Adultos'', diz. Já entre os menores, a última turma com 700 alunos se enquadra este ano.
Outro problema detectado nas escolas era o alto índice de reprovação. Em 2000, 35% dos alunos com oito anos de idade reprovaram de ano, índice que caiu para 8% no ano passado. Esta redução ocorreu principalmente devido à inclusão de mais um ano na fase de alfabetização, ou seja, as crianças ingressam na escola com seis anos e o ensino fundamental passou a ter cinco anos.
A Secretaria de Educação também subtituiu o sistema de séries que prevê a aprovação ou reprovação a cada ano pelo sistema ciclado. Foram adotados dois ciclos: o primeiro engloba da 1 a 3 séries, e o segundo ciclo abrange a 4 e 5 séries. Neste sistema, o aluno só é retido (ou reprovado) no final de cada ciclo. Além de reduzir a retenção para 8% na 3 série, o novo método também garantiu redução da reprovação no final do ensino fundamental, que passou de 13% para 4,8%.
Na avaliação do Programa Escola Campeã, Ponta Grossa também se destaca em outros itens, como baixa taxa de abandono dos alunos, número de professores adequados ao número de turmas e cumprimento dos 200 dias letivos. ''A evasão, hoje, é quase nula. Antes era de 4,53% e hoje é de 0,59%. A evasão está muito ligada à repetência, que desestimula os alunos'', diz Simone.
O município, no entanto, ainda tem algumas batalhas difíceis pela frente. Para chegar ao ideal, como prevê o programa, tem que melhorar o salário dos professores, que está ''abaixo da metade do valor estabelecido pelo Fundef'', e melhorar a frequência de alunos e professores. Hoje, os dois têm em média mais de quatro faltas por ano. ''Estamos tentando conscientizar tanto os professores como os alunos sobre a importância de não faltarem'', diz.





