Pompeo acusa Badan Palhares de vender laudos
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terça-feira, 16 de novembro de 1999
por Clayton Levy 
Campinas, SP, 16 (AE) -O relator da CPI do Narcotráfico em Campinas, deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), desembarcou hoje na cidade disparando graves acusações contra o legista Fortunato Badan Palhares. O parlamentar afirmou que "Badan vende laudos" e reafirmou sua suspeita de que o laudo feito pelo legista sobre as mortes do empresário Paulo Cesar Farias e sua namorada, Suzana Marcolino, em 1996, teria sido encomendado pelo crime organizado. Palhares deveria ser ouvido amanhã (17) mas a CPI decidiu deixá-lo por último e o legista falará somente na quinta.
"Não tenho dúvidas de que o laudo sobre a morte de PC é falso, porque o Badan faz laudos falsos", afirmou Pompeo. "Ele (Palhares), trabalha para quem paga mais e, normalmente, quem paga melhor é o crime organizado", acusou. "Como o caso PC era grave e o crime organizado é quem paga mais, não tenho dúvidas de que Badan se prestou a esse serviço", arrematou.
Fiel ao seu estilo truculento, Pompeo não economizou na artilharia contra o legista. "É um profissional que presta serviços conforme sua conveniência", afirmou. "Os laudos dele têm mostrado interesses que lhe convém financeiramente ou para abafar crimes hediondos, como é o caso do narcotráfico", disse o deputado.
Pompeo disse, ainda, haver indícios de que o deputado Augusto Farias, irmão de PC, estaria envolvido com crime organizado. "Há uma grande possibilidade, mas a investigação é dura", afirmou. Segundo o relator da CPI, as apurações feitas no Acre e no Maranhão transcorreram com mais facilidade. "Naqueles estados, os envolvidos deixaram um rastilho de pólvora, mas em Campinas as pessoas são mais cuidadosas", disse. "Vamos ter mais dificuldades para conseguir provas", admite.
Padre - Além de tentar ligar a morte de PC Farias ao crime organizado, Pompeo também tentará mostrar que o legista teria agido de forma desonesta em outros casos. Um deles, segundo o deputado, refere-se a reconstituição do busto do padre francês Marcelino Champagnat, beatificado pelo Vaticano. Segundo Pompeo, Palhares teria envolvido a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) no caso apenas para "puxar o negócio para ele e receber R$ 14 mil por fora".
O deputado disse que foram feitas três minutas de contrato, mas a universidade não assinou nenhuma. "Por causa disso, Badan mandou um escultor de cemitério fazer o busto falso e agora está rindo à toa com os R$ 14 mil no bolso", afirmou Pompeo. "Ele (Palhares) pode até ser um bom profissional, mas não tem nenhuma ética", afirmou.
O deputado admitiu que ainda não ouviu a universidade a respeito desse caso. "Mas temos informações anônimas que partem da própria cidade", explicou. De concreto, segundo Pompeo, há apenas gravações em fitas cassete feitas pelo atual diretor do Departamento de Medicina Legal da Unicamp, Ricardo Molina de Figueiredo, e suspeitas levantadas pelo deputado estadual Renato Simões (PT). Ambos são desafetos declarados de Palhares. A advogada do legista, Tereza Doro, disse hoje que levará à CPI cerca de 500 documentos capazes de provar a inocência de Palhares. "Temos todas as provas, inclusive todo o processo sobre o padre Champagnat", assegura. Quanto à tentativa de ligar o legista ao narcotráfico através do caso PC, ele disse que "tudo não passa de um absurdo".


