Pombas migram e invadem praça
Marcos Zanatta
De Maringá
O desmatamento da zona rural e, mais recentemente, a mudança do pátio de manobras da Rede Ferroviária Federal, obrigaram as pombas a migrarem para a Praça Raposo Tavares, a mais movimentada de Maringá. Os frequentadores reclamam da sujeira, mas a maior parte das pessoas aprova a presença das pombas. Todos os dias vem alguém dar milho para elas, conta um dos responsáveis pela limpeza da praça, José de Alencar.
Ele calcula que mais de mil pombas moram na praça e garante que elas não passam fome nem sede. A gente colocou um pedaço de pia e põe água todo dia para os bichinhos.
As pombas migraram para a praça há cerca de 10 anos, depois que a Rede Ferroviária Federal retirou o pátio de manobras do centro da cidade. Antes, lembra Alencar, as pombas ficavam entre os vagões que derramavam grãos. Com as obras do Novo Centro onde era o pátio de manobras, as pombas ficaram sem o que comer. Pela segunda vez, pois elas já vieram da zona rural, onde não encontravam mais alimentos, diz o advogado Otávio Salvadori.
Apesar de não ser especialista em biologia ou medicina, Salvadori, sempre que pode, alerta sobre os riscos que as pombas trazem à saúde das pessoas. Sem contar o piolho, as pombas transmitem várias doenças. As mais perigosas são a toxoplasmose e um tipo de meningite que é transmitida pelas fezes. Para limpar locais onde as pombas vivem é preciso usar formol, ensina o advogado. O problema das pombas na cidade, lembra ele, não se resume à falta de alimentos no campo. Falta também o predador natural delas, o gavião.
As condições favoráveis, aliado à velocidade de reprodução cerca de 22 dias por ninhada levou à proliferação exagerada. O problema é mundial e como a pomba é um animal silvestre, não pode ser caçada ou capturada, observa Salvadori. Ele lembra que na Itália, algumas cidades sofrem com problemas de corrosão em monumentos históricos, que são afetados pelas fezes da ave. Aqui não temos esse tipo de problema, mas precisamos ficar alerta para evitar um descontrole.
Na cidade de São Paulo, o controle da proliferação das pombas é feito nos ninhos, com a coleta de ovos antes do nascimento dos filhotes. Não temos como fazer esse tipo de trabalho aqui por causa da dificuldade em localizar os ninhos, justifica Salvadori.
As pombas fazem os ninhos sempre nos mesmos lugares. Em Maringá, elas encontram condições favoráveis em cima dos prédios. Tem um ninho aqui na janela do escritório e a gente curte muito as pombas, disse o instrutor Domingos Alves Evangelista, que trabalha em uma academia de ginástica num prédio em frente à praça.
A vantagem das pombas, segundo ele, é que as aves não entram dentro dos escritórios. Acho que elas embelezam a praça, apesar da sujeira, diz. A recepcionista Érica Simoneto, que trabalha em um centro educacional em outro prédio em frente à praça, também aprova a presença das pombas. Eles fazem ninhos na escada de acesso, mas ficam lá quietinhas, relata. O único problema são os carros que ficam estacionados em volta da praça. Mesmo assim é bonito vê-las.





