Poluição volta a aumentar no Brasil depois de oito anos
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quinta-feira, 20 de novembro de 2014
Lucio Flávio Cruz<br> Reportagem Local 
Londrina - A emissão de gases causadores do efeito estufa no País aumentou 7,8% no ano passado, na comparação com o ano de 2012. O levantamento mostra que houve uma mudança de trajetória negativa, uma vez que de 2011 para 2012 havia sido registrada queda de 4,7%. É o primeiro aumento na poluição desde 2005.
Os dados fazem parte do inventário divulgado ontem pelo Observatório do Clima, uma rede formada por organizações da sociedade civil que atuam no combate às mudanças climáticas, entre elas Greenpeace, SOS Mata Atlântica, WWF Brasil e Instituto Socioambiental.
Segundo o estudo, as emissões passaram de 1,46 giga tonelada (Gt) em 2012 para 1,57 Gt em 2013, considerando todo o Brasil. Todos os setores responsáveis pelas emissões apresentaram crescimento, com destaque para o setor da energia (7,3%) e do desmatamento (16,4%).
As emissões brasileiras caíam desde 2005 graças à redução acelerada das taxas de desmatamento na Amazônia. Em 2004 haviam sido derrubados 27,8 mil km² de matas. Em 2012 a destruição já tinha encolhido para 4,6 mil km², uma queda de de 83,5%. No ano seguinte, contudo, a devastação foi a 5,9 mil km² (aumento de 29% sobre o período anterior). Foi, mesmo assim, a segunda menor taxa já registrada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
De acordo com Tasso Azevedo, coordenador técnico do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG) do Observatório do Clima, a perspectiva para os setores, que incluem agropecuária, energia, desmatamento, indústria e resíduos (lixo e esgoto), é de crescimento na emissão de gases nos próximos anos.
A emissão per capita no País foi de 7,8 toneladas, uma redução drástica ao longo dos anos, já que, em 1995 a emissão era de 18 toneladas per capita. A redução está relacionada com a queda do desmatamento da Amazônia, mas está, ainda, distante do ideal, um patamar entre 1 e 3 toneladas per capita. O avanço de 7,8% nas emissões foi muito além do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) (2,3%) em 2013.
De acordo com o estudo, as emissões brasileiras representam 3% do total das emissões globais. O País tem 2,8% da população do planeta e responde por 5% do território. Em 2004, respondia por 6% das emissões mundiais.
O professor de Engenharia Florestal da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Carlos Sanquetta, ressaltou que a escassez de água e a crescente demanda por energia, principalmente voltada ao transporte, tem obrigado o uso de combustível fósseis e termoelétricas. "Temos um investimento desproporcional em relação a combustíveis fósseis e renováveis. Enquanto há um estímulo cada vez maior para a produção de petróleo e gás, quase não existe incentivo para geração de energia eólica, solar, biogás, biomassa e dos aterros sanitários", frisou.
Jorge Alberto Martins, coordenador de pós-graduação do curso de Engenharia Ambiental da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), entende que há pontos positivos nas políticas de combate ao desmatamento, porém, também aponta que o investimento em fontes alternativas é tímido. "Hoje um veículo é muito mais econômico do que há 20, 30 anos. Mas, o governo intensificou subsídios e linhas de financiamento e o número de carros é muito maior. Esse aumento da eficiência não foi capaz de suportar o crescimento da frota em relação à poluição. Deixou-se de investir no transporte público em prol do crescimento da indústria automobilística", relatou. (Com Agências)


