Poluição também castiga coração
PUBLICAÇÃO
domingo, 07 de outubro de 2007
Fernanda Aranda<br>Agência Estado 
A ''cidade cinza'' deixa o coração doente. Aquela nuvem preta que sai do escapamento dos carros, a fumaça das fábricas, a falta de árvores, características marcantes da grandes metrópoles, também funcionam como fatores que potencializam os riscos de enfarte. Uma pesquisa realizada pelo Instituto do Coração (Incor) comprovou que em dias mais poluídos aumenta em até 15% o número de mortes provocadas por ataques cardíacos.
Durante dois anos, foram analisadas 12 mil mortes por enfarte em São Paulo, registradas no Incor e também no Hospital da Universidade de São Paulo. Foi identificado que em dias em que a concentração de poluentes superou o índice de 200 nas estações da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) - suficiente para classificar a qualidade do ar como má - a frequência de ''panes no miocárdio'' ficou entre 10 e 15% maior, comparada aos dias mais ''limpos''.
A situação ficou ainda mais grave quando as altas taxas de poluição estavam atrelada a temperaturas menores de 17ºC. Nesses casos, o crescimento de mortes por enfarte foi de 30%. ''A relação entre poluição e problemas no coração é que os gases tóxicos estimulam as infecções, crises respiratórias e facilitam a coagulação do sangue, o que compromete o bom funcionamento do miocárdio'', afirma o coordenador do estudo, Luiz Antônio Machado César.


