Poluição sonora causa trauma acústico
PUBLICAÇÃO
domingo, 24 de fevereiro de 2008
Adriana Bifulco<br>Agência Estado 
Quem mora nas grandes cidades aprende a viver com os mais variados tipos de barulho: de carros, buzinas, sirenes de ambulância e de carros de bombeiros, motos, aviões, tiros e brinquedos eletrônicos. ''O ouvido humano suporta níveis de 80 a 85 decibéis. Quem ficar ouvindo sons entre 85 a 100 decibéis com frequência, algo semelhante a um carro com escapamento aberto, pode começar a ter perdas'', explica Oswaldo Laércio Mendonça Cruz, professor livre docente em Otorrinolaringologia pela Universidade de São Paulo (USP), professor afiliado da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), professor da Sociedade Brasileira de Oftalmologia e otorrino do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
De acordo com o especialista, a exposição continuada a sons entre 100 a 120 decibéis pode levar a perda auditiva. Tanto que a legislação determina tampões de proteção. Acima de 120 decibéis (som de uma explosão, por exemplo) é provocado trauma acústico.
Mas além de conviver com a poluição sonora do dia-a-dia, há também quem goste de usar aparelhos como Ipod, Mp3, Mp4 e rádio acoplado ao celular. ''Os jovens utilizam aparelhos que são capazes de emitir sons a 100, 110 decibéis. Os próprios fabricantes estão alertando aos consumidores quanto aos possíveis danos na audição'', explica o médico.
Segundo Antônio Douglas Menon, otorrino do Hospital Sírio Libanês, da capital paulista, é preciso recomendar bom senso a essas pessoas. ''Depois de ficar com o fone no ouvido durante uma hora, é preciso fazer uns 15 minutos de pausa'', diz. ''Para saber se não está exagerando no volume, a pessoa precisa conseguir escutar perfeitamente alguém que esteja falando com ela'', sugere.
A mesma situação não acontece com profissionais como músicos e garçons. ''Eles precisam tomar cuidado para não ter lesão auditiva. Os músicos, por exemplo, devem usar tampões pelo menos durante os ensaios. E quem já tem problemas auditivos não deve deixar de usá-los'', orienta Oswaldo Laércio Mendonça Cruz.


