Poluição pode afetar fertilidade masculina
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de dezembro de 2010
Guilherme Genestreti <BR>Folhapress 
Um levantamento da Faculdade de Medicina da USP mostra que a exposição constante à poluição emitida por veículos pode afetar a qualidade do sêmen.
A biomédica Juliana Andrietta comparou amostras do esperma de 61 controladores de tráfego de São Paulo com as de 198 homens férteis do grupo de controle.
Apenas 27% dos espermatozoides dos integrantes do primeiro grupo apresentavam motilidade, isto é, tinham condições de se locomover em velocidade e trajetória adequadas para fecundar um óvulo. No outro grupo, o índice chegava a 40%. Os ''marronzinhos'' ficavam expostos à fumaça seis horas por dia. O estudo não considerou fatores como estresse, tabagismo e idade.
''Ainda não sabemos exatamente qual é o mecanismo que leva os poluentes a prejudicarem a qualidade do esperma, mas supomos que seja por causa dos metais pesados liberados pelos escapamentos'', diz a autora.
Para Otto Chaves, chefe do departamento de andrologia da Sociedade Brasileira de Urologia, o estresse deveria ter sido levado em conta no levantamento da USP. ''Até que ponto o estresse não entra como componente a mais nos resultados? Um controlador de tráfego vive sob alta pressão'', ressalva.
No começo do ano, a Organização Mundial da Saúde redefiniu os níveis ideais de fertilidade masculina. Todos os critérios - concentração de espermatozoides, motilidade e morfologia (forma) - tiveram padrões de normalidade rebaixados.
No caso da motilidade, que foi objeto do estudo da USP, o padrão de espermatozoides em condições de fecundar um óvulo era de 50% em 1999. Hoje é de 32%.
Para Rodrigo Pagani, urologista do Hospital das Clínicas, isso não quer dizer que a fertilidade caiu. ''Os últimos estudos foram mais rigorosos. Notou-se que homens abaixo dos níveis anteriores de fertilidade conseguiram engravidar mulheres.''


