Poluição, o inimigo que nos cerca
Fumo louco tem mais nicotina e provoca maior dependência


Fumante, uma perigosa fonte de poluiçãoNão é sempre um inimigo invisível. Ela é bem visível na fumaça que sai dos cigarros, dos carros, das chaminés das indústrias
Após ser tragada, a fumaça do cigarro continua a reagir no ar, formando compostos mais tóxicos. É a ‘‘fumaça envelhecida’’, constituída por diversas substâncias tão tóxicas quanto a nicotina. Assim, o fumante passivo - aquele que, apesar de não fumar, está em contato constante com essa ‘‘fumaça
envelhecida’’ - sofre os mesmos efeitos do fumante ativo.
A fumaça do cigarro é um dos agentes da poluição do ar. Outros agentes importantes são os gases liberados pelas fábricas e pelos veículos. Todos expelem partículas que podem alterar o código genético humano. Essas alterações são responsáveis pelo desenvolvimento de tumores e dificuldades para respirar, dependendo da concentração de poluentes.
O perigoA atmosfera é constituída por milhares de compostos naturais (oxigênio, por exemplo) e artificiais, ou seja, fruto da ação do homem, como os poluentes (monóxido de carbono e enxofre, entre outros). Segundo Lilian de Carvalho, professora do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), um estudo da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, realizado com amostras de ar coletadas no Estado de São Paulo por seu grupo de pesquisa, detectou a presença de compostos mutagênicos que provocam alterações no código genético humano .
Em situações de grande concentração de poluentes na atmosfera - inversões
térmicas, escassez de chuvas - são aspiradas grandes quantidades de resíduos,
aumentando a probabilidade de aparecimento de tumores e dificuldades
respiratórias, devido à maior presença desses compostos mutagênicos.
Além da poluição gerada pela liberação de monóxido de carbono pelos
escapamentos dos veículos, a poluição das fábricas é causa de diversos
males, principalmente para seus trabalhadores. ‘‘Geralmente, a situação das
fábricas é ruim. Pode-se detectar, no local de trabalho dos operários, fumaça de várias cores e mal-cheirosas. Como os trabalhadores estão todos os dias sujeitos a esse tipo de poluição, suas consequências são piores que a da fumaça dos carros’’, conclui Lilian. Segundo a professora, citada pela Agência Brasil, o caso das siderúrgicas é um dos mais críticos, devido à grande liberação de poluentes mutagênicos, cancerígenos e leucopenizantes, que diminuem a quantidade de glóbulos brancos (células do sangue responsáveis pela defesa do organismo).
Outro tipo de poluição estudado pelo grupo de Lilian Carvalho é o de ambientes internos, como escritórios e hospitais, devido à fumaça de cigarro, materiais de construção, tintas, vernizes e até carpetes. Embora as consequências dessa poluição interna sejam geralmente sintomas leves, como irritação dos olhos, dor-de-cabeça, podem tornar-se problemas crônicos, dependendo do grau de exposição aos poluentes.
Lilian adverte que, devido à gravidade dos danos à saúde provocados pela
poluição, são necessárias soluções imediatas para o problema. Para ela, o rodízio de carros estabelecido na cidade de São Paulo é apenas uma medida paliativa que não resolve a questão da poluição, já que não controla ônibus e caminhões e nem as condições da frota de veículos. ‘‘Existem carros muito velhos e mal-mantidos, que poluem mais do que deveriam. Para uma medida antipoluição funcionar, deveria impor condições adequadas de uso, como a regulagem do motor desses carros’’, conclui a professora.
Fumo doidãoA Faculdade de Farmacologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS) está analisando folhas de fumo recolhidas por técnicos do Ministério da Agricultura no município de Venâncio Aires.
A Agência de Notícias Associated Press (AP) denunciara que, incentivados pela
indústria do fumo, produtores do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná estariam cultivando uma espécie de fumo supernicotinado, que, por isso, causa uma dependência ainda maior dos fumantes. A variedade Y-1, já proibida nos Estados Unidos, é conhecida como ‘‘fumo louco’’ e teria entrado irregularmente no Brasil, oriunda da América do Norte.
A direção da Souza Cruz, maior fabricante de cigarros do País, admitiu o cultivo do ‘‘fumo louco’’ entre os anos de 1988 e 1994, mas negou que atualmente ele seja produzido. Fumicultores e indústrias de fumo do Sul uniram-se para rebater a denuncia da AP.
De acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias do Fumo (Sindifumo),
Hélio Fenstenseifer, a polêmica em torno do Y-1 ‘‘não passa de um movimento
arquitetado internacionalmente para prejudicar as exportações brasileiras’’.
Segundo ele, o Brasil produz um dos melhores fumos do mundo e em 96 exportou, entre cigarros e fumo em folha, US$1,5 bilhão.

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