Belo Horizonte - A poluição atmosférica nas seis principais regiões metropolitanas brasileiras - São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba e Recife - gera gastos públicos de cerca de US$ 1 bilhão a cada ano com as mortes ou com tratamentos de doenças associadas direta ou indiretamente à má qualidade do ar. Embora abasteça aproximadamente 10% da frota do País, o diesel é responsável, em média, por 50% da poluição nas grandes áreas metropolitanas do Brasil.
  Os dados, apresentados ontem pelo coordenador do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Saldiva, fazem parte das conclusões preliminares de um estudo que será finalizado nos próximos dias sobre o impacto no sistema público da baixa qualidade do ar nas grandes áreas urbanas do País.
  O estudo analisou o custo para os cofres públicos do número de internações hospitalares, mortalidade e aposentadorias precoces de alguma forma vinculadas à poluição atmosférica. ‘‘O que o sistema público de saúde paga é mais ou menos 1/4 disso’’, disse o médico e pesquisador. Segundo ele, somente a Grande São Paulo responde por pelo menos 40% desse gasto anual.
  ‘‘É obrigatória, na gestão das cidades, a incorporação do valor da saúde humana na formulação de políticas ambientais’’, destacou Saldiva, lembrando que o estudo tem por objetivo estimular investimentos estruturais e produtivos que melhorem a qualidade atmosférica.
  Ele citou como exemplo investimentos nas linhas de metrô e no etanol. ‘‘O metrô todo mundo sabe quanto custa, mais ou menos US$ 100 milhões por quilômetro. Só que este custo é menor se você levar em conta a economia de saúde que ele traz’’.
  Em relação ao combustível, Saldiva lembrou que geralmente os investimentos em fontes menos poluentes de energia são determinados pelo mercado. ‘‘O que vai fazer com que se invista (mais) dinheiro nisso é saber o quanto está se gastando com despesas de saúde’’.
  Segundo ele, entre as principais doenças agravadas pela poluição atmosférica estão as cardiovasculares, acidente vascular cerebral (AVC), asma, bronquite crônica, enfisema e pneumonia em crianças com menos de cinco anos.

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