A concentração de poluentes em estado gasoso na atmosfera de Cubatão (62 quilômetros a sudeste de São Paulo) está provocando contaminação do solo e da água, matando a vegetação nativa e ameaçando com deslizamentos a serra do Mar.
A conclusão é de uma pesquisa de seis anos de duração, realizada por meio de um compromisso de cooperação técnica entre a Secretaria Estadual do Meio Ambiente e cinco universidades alemãs, cujo resultado foi apresentado ontem em Cubatão.
De acordo com o coordenador brasileiro da pesquisa, Hamilton Targa, da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, há em Cubatão uma nuvem de poluentes situada entre 200 e 400 metros de altitude.
Segundo Targa, a concentração de poluentes nessa nuvem é de cinco a seis vezes superior à concentração registrada na superfície. O efeito direto, de acordo com o pesquisador, é a morte da vegetação original da serra do Mar, que já perdeu 60% a 70% de suas plantas nativas nos últimos anos. Entre os poluentes presentes nessa nuvem, há ozônio, dióxido de enxofre, hidrocarbonetos e óxido de nitrogênio - materiais expelidos pelas indústrias de Cubatão.
‘‘Quando os gases vão para a atmosfera, reagem com a água e formam um ‘coquetel’ que, com a chuva, se deposita no solo’’, afirmou Targa. Isso teria sido comprovado pela pesquisa, que indicou elevado grau de acidez em camadas profundas do solo na região. O ácido produzido pelas substâncias químicas é absorvido pelas raízes e provoca a morte das plantas.
‘‘Morrendo a planta, a passagem da água fica mais rápida, o que provoca deslizamentos nas encostas. Podemos esperar uma alteração substancial na camada de vegetação e aumento do número de escorregamentos’’, declarou o pesquisador.
O risco de deslizamentos ameaça os moradores das encostas e as próprias indústrias. Em 1994, um deslizamento levou terra e lama para dentro da refinaria Presidente Bernardes, da Petrobrás, em Cubatão. De acordo com Targa, de todos os poluentes encontrados na atmosfera de Cubatão, o pior para a vegetação é o gás ozônio, considerado tóxico para as plantas por penetrar nas estruturas internas dos vegetais até levá-los à morte.
O coordenador da pesquisa afirmou que também foi observado maior grau de acidez na água dos rios. Embora letal para as plantas, essa acidez ‘‘não é preocupante’’ para o ser humano, afirmou.
Targa defende a implantação de um sistema de controle mais rigoroso da poluição provocada pelos gases, da mesma maneira como a Cetesb realizou em relação ao material particulado (poeira).
Segundo ele, ainda que ocorresse a suspensão total do lançamento de poluentes na atmosfera, o solo de Cubatão levaria de dez a 20 anos para recuperar suas propriedades naturais.

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