Poluição causa feriado em cidade carioca
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quarta-feira, 02 de abril de 2003
Agência Folha 
São Paulo - O prefeito de Santo Antônio de Pádua (RJ), Luiz Fernando Padilha, decretou estado de calamidade pública na cidade e feriado hoje e amanhã por causa do desastre ecológico da indústria de papel de Cataguases, em Minas Gerais, que contaminou o rio Pomba.
Cerca de 40 mil moradores estão sem água, assim como os municípios de Campos, com 500 mil pessoas, São João da Barra, Miracema, Aperibé, Portela, Cambuci e São Fidélis. Mais de 600 mil pessoas estão sem água na região. Cerca de 30 carros-pipa atendem aos moradores e hospitais das cidades. O laboratório móvel da Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgoto) monitora a qualidade da água do rio Pomba.
A Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais) informou que a população da região de Cataguases não foi prejudicada com o abastecimento de água. Segundo a empresa, a captação ocorre em um ponto do rio Pomba que não foi contaminado pelos resíduos.
O vazamento de uma represa de rejeitos sólidos da indústria Cataguases Papel, na zona rural da cidade de Cataguases (311 km de Belo Horizonte), causou o desastre ecológico no último sábado. O volume de material tóxico é superior a 20 milhões de litros. A empresa foi interditada.
Félix Santana, um dos sócios da Indústria Cataguazes de Papel, reconheceu ontem a gravidade do acidente ecológico e disse estar ''solidário'' com as populações das cidades afetadas, mas que não são só eles os ''vilões''. Ele disse que no reservatório não havia produtos químicos além da soda cáustica. Disse que a mistura era composta de água, lignina e soda a lignina, ou licor preto, é um composto orgânico, resultado da limpeza da madeira para a extração da celulose.
A presença de enxofre que as autoridades do Rio disseram estar presente nas águas do rio Paraíba do Sul, colhidas em Santo Antônio de Pádua, é contestada por Santana. ''Se o nosso licor negro não tem enxofre, como tem enxofre lá, conforme disseram?'' Por isso disse que não é só a empresa dele a vilã da história.
Santana disse que vai recorrer à Justiça para manter a empresa funcionando. Da mesma forma, vai recorrer contra a multa de R$ 50 milhões aplicada pelas autoridades ambientais do Rio. Se tiver que fechar a empresa, disse que entre 300 e 350 famílias que tiram seu sustento da atividade da Cataguazes Papel serão atingidas. A indústria recicla 4.000 toneladas/mês de papel para embalagem.
Santana disse que o vazamento foi verificado na sexta-feira, quando começaram a trabalhar para conter o derramamento. Interromperam o trabalho porque escureceu. No sábado, ela rompeu. Quanto à outra barragem, disse ter contratado um especialista para analisar a situação atual.
O secretário do Meio Ambiente de Minas Gerais, José Carlos Carvalho, afirmou que Minas Gerais ''não vai se eximir de suas responsabilidades'', assinalando que o governador Aécio Neves (PSDB) autorizou a investigação para apurar se houve omissão de órgãos ambientais do Estado no episódio.


