Análises da UFPR nos mananciais (Palmital, Iraí e Altíssimo Iguaçu) que abastecem Curitiba comprovam a presença de cloriformes fecais até 14 vezes maior do que o permitido pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente. A presença de cloro na água tratada chega a ser duas vezes maior do que o permitido pelos padrões do Ministério da Saúde.

A poluição compromete 12 rios e 20 pontos da bacia do rio Iraí. Segundo a UFPR, os mananciais, que deveriam ser considerados áreas de preservação ambiental, estão ocupados por moradias, com muitas áreas degradadas e poluídas, comprometendo a quantidade e qualidade da água. Professores da UFPR dizem que desde 1992 o IAP já vem informando o problema de poluição na bacia do Iraí.

Fora da área do Iraí, constatou-se no Altíssimo Iguaçu vários pontos de poluição em todo o Estado, comprometendo a água com agrotóxicos e o clorado cancerígeno thihalometanos.

Câncer

Uma das grandes surpresas do seminário foi a pesquisa realizada pelo professor Jorge Antônio Barros de Macedo, na Universidade Viçosa, de Minas Gerais, confirmando que no processo de desinfectação da água à base de cloro, para o abastecimento público ou para a indústria de alimentos, ocorre a formação de substância cancerígena (thihalometanos).

A ingestão de 1,96 litros de água clorada por dia, durante 40 anos, aumenta em 70% a possibilidade de uma pessoa desenvolver câncer de bexiga. Este índice passa a 100%, quando se alcança os 60 anos.

No Brasil, somente a partir de 1990 é que o Ministério da Saúde estabeleceu o valor máximo permitido de 100 microgramas por litro de água. Mas, segundo Macedo, o ideal é somente 80 microgramas e 30 microgamas de cloroforme.

Além do thihalometanos, Macedo critica as quantidades mínima e máxima de cloro para o tratamento de água determinada em lei para empresas de saneamento, que é de 0,2 miligrama e 1,5 miligrama e que está fora das exigências da OMS que é entre 0,6 miligrama e 1,0 miligrama. Denuncia da mesma forma o pH que é determinado por lei entre 6,0 e 9,5, quando a OMS indica 6,8 a 8,0. (M.M.)

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