Poluição ameaça abastecimento de água
Hoje o mundo comemora o Dia da Água, instituído em 1992 pela Organização das Nações Unidas (ONU). De lá para cá, pouca coisa mudou e o homem continua poluindo as reservas aquíferas num ritmo assustador. No Paraná, a poluição dos rios situados em regiões mais populosas e industriais, como a Região Metropolitana de Curitiba, é motivo de preocupação para a Secretaria do Meio Ambiente.
A quantidade da água disponível no planeta é estimada em 1,35 bilhão de quilômetros cúbicos, sendo que 97% estão nos oceanos e mares (água salgada), 2% nas geleiras e apenas 1% está disponível para o consumo, armazenada em lençóis subterrâneos (como o aquífero de Guarani, que ocupa metade do Estado do Paraná), lagos e rios. Privilegiado pela natureza, o Brasil detém 11,6% de toda a água doce disponível. Em compensação, já existem regiões no planeta que sofrem com a falta dágua, como muitos países da África, Oriente Médio e da própria Europa.
Em 1997, o governo federal sancionou a lei 9.433, instituindo de fato a política nacional de recursos hídricos e criando um sistema nacional de gerenciamento desses recursos. E é justamente essa lei que o secretário Estadual do Meio Ambiente, José Antonio Andreguetto, pretende implementar no Paraná. O secretário afirma que a legislação é a maior fonte de esperança de se preservar o que está bom e de se recuperar o que está ruim. Serão criados, segundo Andreguetto, comitês de bacias (gestor de recursos), agência de bacias (operacionalização dos recursos) e o Conselho Estadual de Recursos Hídricos (que definirão a política para o setor).
Andreguetto considera que o Estado sofre principalmente com a ocupação desordenada de áreas urbanas. A ação da Secretaria se concentrará justamente no controle da atividade industrial e na expansão dos serviços de saneamento básico.
A gerente de Meio Ambiente da Sanepar, Leane Chamma Barbar Przybysz, também considera que a grande Curitiba é a área mais preocupante no Estado. A empresa atua em 342 dos 399 municípios do Estado. Leane Przybysz entende que o problema deve ser atacado em duas frentes: com ações de recuperação da mata ciliar e entorno do rio e educando a população do entorno dessas áreas para que mude seus hábitos.
Segundo Leane Przybysz, a outra fonte de água disponível, a subterrânea, de um modo geral está limpa. A gerente de meio ambiente da Sanepar não acredita que o Paraná, pelo menos a médio prazo, deva sofrer com a escassez de água.
Já o diretor-administrativa da ONG Ambiental Universidade da Água, de São Paulo, Francisco Buonafina, é menos otimista. O Brasil detém 11% da água do planeta, só que mais de 70% está na Bacia Amazônica, lembra o ecologista. Ele frisa que o brasileiro não tem a cultura da economia de água e nem é educado para isso. Para ele, a resolução passa por soluções conjuntas entre sociedade, governo e iniciativa privada.





