POLUIÇÃO AMBIENTAL - Monitoramento para garantir a qualidade do ar
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 29 de dezembro de 2016
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que 92% da população mundial vivem em áreas onde o índice da qualidade do ar é considerado baixo. De acordo com pesquisa divulgada pela entidade em 2016, uma em cada nove mortes no mundo está relacionada ao ar excessivamente poluído em ambientes fechados ou abertos o que contribui para derrames, problemas cardiovasculares e câncer de pulmão, entre outras doenças. Mas qual a intensidade dessa poluição em Londrina?
Para responder a essa pergunta o município recebeu há dois meses uma estação fixa de monitoramento da qualidade do ar. Implantada na sede do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e protegido por uma estrutura metálica semelhante a um contêiner, o equipamento possui quatro bombas de sucção de ar que mandam o material captado às células, que são uma espécie de filtro, pelas quais são realizadas as medições. Os instrumentos ainda estão em fase de calibração, condição na qual permanecerão por aproximadamente dois meses, para posteriormente avaliar a necessidade de um controle maior da qualidade do ar.
A aquisição de estações de monitoramento da qualidade do ar faz parte de um convênio assinado em 2012 com o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird), instituição ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), para modernização dos sistemas de gestão ambiental do Estado. Segundo a chefe do departamento de tecnologia ambiental do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Dirlene Cavalcanti, além de Londrina, também receberam equipamentos Maringá (Noroeste), Foz do Iguaçu e Cascavel (ambas no Oeste), Ponta Grossa (Campos Gerais) e Paranaguá (Litoral). "Essa estação vai nos ajudar na fiscalização da emissão de poluentes de cada região e na avaliação das nossas ações e normas que são desenvolvidas como mecanismos de controle de emissão", destaca.
Segundo Dirlene, os novos equipamentos ainda estão em fase de ajustes e por isso não há resultados que possam ser divulgados. Ela aponta que cada estação é avaliada em R$ 950 mil e os custos de manutenção foram estimados pelo Instituto Lactec em R$ 12 mil por ano para cada unidade. Esses aparelhos fazem parte da Rede de Monitoramento da Qualidade do Ar, cujos primeiros equipamentos foram implantados no Paraná em 1985, na Região Metropolitana de Curitiba. Nessas primeiras estações, os levantamentos ainda são realizados com equipamentos manuais, diferentemente dos instrumentos automáticos que estão sendo implantados agora.
De acordo com a assessoria do IAP, a evolução no monitoramento garante uma fiscalização constante, através de uma sala de controle dentro do instituto, e os dados são importantes para o desenvolvimento de políticas públicas para controle de emissão de gases poluentes de fontes fixas (empresas e indústrias) e monitoramento da qualidade do ar.
A expectativa é que as políticas públicas que forem estabelecidas para controlar a qualidade do ar beneficie pessoas como a dona de casa Maria Aparecida Rocha de Jesus, de 58 anos. Moradora do Jardim Esperança (zona sul de Londrina), ela reclama de dois problemas. O primeiro deles decorre do hábito que algumas pessoas têm de queimar o lixo no quintal das casas. "Elas queimam as folhas e, mesmo fechando as janelas, a fumaça entra pelas venezianas", queixa-se. Outro fator que incomoda é a existência de fossas sépticas que não são bem vedadas e permitem que o mau cheiro exale pelo bairro.
DE HORA EM HORA
Atualmente são 10 estações de medição da qualidade do ar automáticas (nas regionais de Curitiba, Ponta Grossa e Litoral) e quatro manuais em Curitiba. Até 2010, o monitoramento era divulgado pelo IAP uma vez ao ano em um relatório feito em parceria com o Instituto Lactec. Desde 2014, a atualização é realizada de hora em hora e a divulgação é feita on-line pelo site do Instituto Lactec (https://goo.gl/nUcgWA).
O presidente do IAP, Luiz Tarcísio Mossato Pinto, ressalta que o sistema de monitoramento do instituto é referência para órgãos ambientais nacionais e de outros Estados. "Atuar na vanguarda desse tipo de monitoramento é muito importante, pois mostra como o Estado está preparado para um crescimento sustentável", afirma.


