Os pesquisadores estão descobrindo que a poluição já pode estar afetando não só os rios, mas também os lençóis freáticos na Amazônia. ‘‘Ela já começa a aparecer em águas subterrâneas de Belém (capital do Pará), próximo de lixões’’, disse Antônio dos Santos, cientista do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), na encerramento da sétima reunião especial da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), ontem em Manaus, Amazonas. Como os estudos sobre o problema ainda estão em fase inicial, os cientistas não sabem se essa contaminação se espalhou e como ela afeta os rios que são formados pelos lençóis freáticos.
A questão da água é ainda mais preocupante para o pesquisador Reynaldo Luiz Victória, da Universidade de São Paulo (USP), porque para ele pouca atenção se dá aos problemas envolvendo a bacia amazônica. ‘‘Isso fica em segundo plano e parece que as pessoas se esquecem que a Amazônia forma a segunda maior bacia fluvial do mundo’’, destacou. Ele falou sobre o assunto durante a apresentação, na reunião, de sua pesquisa sobre os impactos das mudanças do uso e cobertura do solo na bacia do Ji-paraná, em Rondônia , e quais mudanças esses processos provocam na qualidade das águas. Para ele, isso acontece porque é mais visível para as pessoas a derrubada de uma árvore ou o sofrimento de um animal que perde seu habitat por conta da intervenção humana predatória.
Os estudos em rios de grande volume de água, como o Amazonas, não permitem identificar o impacto da ação humana, exatamente por haver muita água, daí a escolha do pesquisador pela bacia do Ji-paraná, que é de média escala. Ao fim da pesquisa, Victória e sua equipe vão produzir um mapa digital georeferenciado (ou seja, terá marcações de pontos geográficos para fins de localização) da região.
O Brasil possui 12% de toda a água do mundo, e 70% desse volume estão na Amazônia. A floresta, como um todo, abriga 1/5 da disponibilidade mundial de água doce, sendo que o Brasil detém 69% da área total da Amazônia. (A.E.)

mockup