Pólos estão preparados para bug, mas 14 unidades param para manutenção
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quarta-feira, 29 de dezembro de 1999
Por Viviane Mottin 
São Paulo, 29 (AE) - Está tudo sob controle para o bug do ano 2000 na área de petroquímica, mas 14 unidades dos três pólos vão parar por prevenção e para manutenção. Além das nove unidades industriais petroquímicas do pólo de Camaçari (BA) que irão parar durante a virada do ano, no pólo petroquímico de Capuava (SP) também param três e em Triunfo (RS) duas. O que mais preocupa as centrais petroquímicas de Camaçari, Triunfo e Capuava, que alimentam de matérias-primas as indústrias dos pólos, é a manutenção do fornecimento de energia elétrica. Mas, ainda que a luz se apague, informam as centrais, não haverá problemas fatais. Todos os sistemas apenas param de funcionar, sem causar explosões ou acidentes.
A Companhia Petroquímica do Nordeste (Copene) tem geração própria de energia para seu consumo e até 60% da demanda do pólo de Camaçari. A Companhia Petroquímica do Sul (Copesul), central de matérias-primas do pólo de Triunfo, é totalmente independente, porque gera 100% da energia que consome.
A situação mais crítica é a da Petroquímica União (PqU), de Capuava, que tem autonomia por apenas uma hora. "A partir de 26 de janeiro teremos um gerador próprio, usando o vapor que é um subproduto da central, com capacidade para 25 megawatts", explica o gerente de controladoria e finanças da PqU, Rubens Soter de Oliveira. Ele, que também gerencia o Projeto Révellion 2000 (operação para controlar o bug), afirma que, caso cesse o fornecimento de energia, o tempo de sustentação própria é suficiente para acionar o plano de contingência, para a parada da central sem prejudicar as cerca de 16 indústrias que dela dependem.
Custos do erro - A adaptação dos sistemas digitais de controle administrativo, operacional e de produção na Copesul custou R$ 400 mil. Nesse valor não estão incluídos os investimentos para a recente ampliação da produção da central e a substituição de equipamentos obsoletos - fatos que por si só debelaram o problema do retrocesso de data.
Na PqU, o investimento foi de US$ 1,5 milhão, dos quais US$ 1 milhão só na área industrial, controlada por um único sistema. É na área industrial que ocorre o processo da tranformação da nafta em eteno e propeno, entre outras matérias-primas petroquímicas, enviadas para as indústrias de resinas termoplásticas do pólo.
Não causará estragos - Na passagem de 1999 para 2000, a PqU vai atender normalmente suas clientes do pólo, que recebem as matérias-primas por dutos. Mas a central não receberá nafta da refinaria, também por dutos, porque formou estoque para cinco dias e dispensou o bombeamento da matéria-prima durante a noite de 31 de dezembro e a madrugada de primeiro de janeiro.
Rubens de Oliveira garante que não haveria qualquer problema se fosse necessário manter o recebimento da matéria-prima. O processo de envio é apenas estancado, porque ao cessar a energia também pára a pressão e o material em trânsito volta ao tanque de origem.
A Copesul tem estoque de 85 mil toneladas de nafta, para sustentar o consumo do pólo de Triunfo por oito dias. Mesmo assim, o bombeio do insumo da refinaria da Petrobras para a central vai continuar durante a mudança de data. O executivo de engenharia da Copesul, Jaime Afonso dos Santos Hoefel, afirma que os estoques da central geralmente são bem mais baixos. Por causa do bug, vão ocupar a capacidade total dos quatro tanques.
Paradas preventivas - De 31 de dezembro a primeiro de janeiro, em Capuava, uma unidade da OPP Petroquímica vai parar das 23h15 a 0h45, a da Solvay pára das 23h à 1h30 e a Polibrasil desliga os equipamentos das 19h às 3h. Segundo o gerente do bug na PqU, essas indústrias param apenas por prevenção.No pólo de Triunfo, que conta com nove indústrias (sete petroquímicas e duas de apoio), apenas uma entre as seis unidades do site da OPP Petroquímica irá parar, e uma entre as cinco do complexo da Ipiranga Petroquímica sai de operação. Segundo Jaime Hoefel, as duas unidades param por prevenção e aproveitam o período de 24 horas para manutenção.


