Bonn, 06 (AE-NEWSWEEK) - Eis a visão de alguns dos envolvidos nos acontecimentos de 1989. Adam Michnik, ex-dissidente polonês - "A primeira brecha no muro abriu-se em agosto de 1980, quando uma grande onda de greves irrompeu em toda a Polônia. As mais importantes foram em Gdansk. Esse foi o primeiro passo crucial para acabar com a legitimidade do comunismo. Na verdade, o muro caiu na Polônia em 4 de junho de 1989, dia em que os poloneses rejeitaram o comunismo em eleições democráticas. Aí ficou evidente que esse sistema estava acabado." Vaclav Havel, presidente da República Checa - "Durante os anos 70 e 80, tentei explicar em vão a jornalistas estrangeiros que, quando encontrassem uma sociedade totalitária, não se deviam deixar enganar por sua aparência. Apenas parece que todo mundo é leal e o regime vai durar séculos. Lembro que vários visitantes estrangeiros disseram que éramos só um grupo de tolos, pessoas batendo a cabeça contra a parede sem o apoio da população. Eu lhes dizia que uma sociedade totalitária funciona de modo diferente. Em tal sociedade, uma só palavra escrita ou um só indivíduo, como Aleksandr Soljenitsin, pode mudar o curso da História mais do que meio milhão de manifestantes poderia em outras circunstâncias." Lech Walesa, ex-líder do Solidariedade, ex-presidente da Polônia - "O papa acelerou significativamente o fim do comunismo e ao mesmo tempo evitou o derramamento de sangue. Esclareceu as pessoas sobre certas verdades e encorajou-as a sentir seu poder. Alguém mais desempenhou importante papel: os jornalistas, principalmente os ocidentais. Se eles não tivessem divulgado nossa luta no mundo todo, não teríamos tido chance. Ronald Reagan entendeu-nos como os jornalistas o fizeram. Entendeu que o fim do comunismo era iminente. Viu o que era de seu interesse e colaborou conosco." Joachim Gauck, ex-dissidente da antiga Alemanha Oriental - "O muro mais importante que caiu não era sequer visível - era o muro do medo que havia no íntimo das pessoas. É muito difícil descrever o papel que o medo desempenha num Estado totalitário. O milagre de 1989 foi que os alemães-orientais, que haviam vivido de 1933 a 1989 com esse medo, puderam voltar ao grande projeto de democracia européia e norte-americana. E foi uma feliz coincidência da História o fato de haver pela primeira vez um líder russo, Mikhail Gorbachev, que não estava disposto a considerar o socialismo uma questão de tanques."

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