INDEPENDENCE, Estados Unidos, 12 (AE-REUTERS) - Num fato histórico com profundas implicações estratégicas (militares), econômicas e políticas, Polônia, Hungria e República Checa, três antigos satélites soviéticos, ingressaram oficialmente nesta sexta-feira (12) na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) - a grande aliança militar ocidental que passa a contar agora com 19 países membros.
"Aleluia!", exclamou a secretária de Estado norte-americana Madeleine Albright que presidiu o ato de assinatura dos termos de adesão em Independence, pequena cidade do Missouri onde nasceu o presidente Harry Truman - um dos fundadores da Otan. "Os destinos dos Estados Unidos e da Europa estão absolutamente ligados", disse Albright.
"Bem-vindos. Vocês são os três primeiros países do antigo Pacto de Varsóvia (aliança militar controlada pela ex-URSS) a ingressar na Otan e não serão os últimos", acrescentou ela. Foi uma clara mensagem a outros antigos países do bloco soviético que já manifestaram desejo de integrar a aliança, apesar da forte oposição da Rússia: Eslováquia, Eslovênia, Romênia, Bulgária, Letônia, Estônia e Lituânia.
Os termos de adesão foram assinados na Biblioteca Truman pelos chanceleres Bronislaw Geremek (Polônia), Janos Martonyi (Hungria) e Jan Kavan (República Checa). Os documentos permanecerão nos Estados Unidos, país depositário do tratado.
O presidente Bill Clinton não compareceu à cerimônia, mas enviou uma mensagem aos novos sócios. "A partir de agora, temos garantias absolutas de que nossa segurança comum está mais forte do que nunca."
O secretário-geral da Otan, o espanhol Javier Solana, também saudou os novos membros. "Isso representa o fim definitivo das velhas fronteiras européias", disse para ressaltar: "As portas da Otan estão abertas para as novas democracias da Europa Central e Oriental."
O chanceler húngaro, Janos Martonyi, disse que a Hungria retorna, dessa forma, a seu âmbito natural. "Nosso objetivo foi sempre estar ao lado dos que compartilham nossos valores, interesses e aspirações."
O chanceler polonês, Bronislaw Geremek, insistiu na ampliação da aliança. "Devemos manter a porta da Otan aberta a todos os países que lutaram pela liberdade. Nunca mais outra cortina deve cair sobre o continente europeu."
O chanceler checo, Jan Kavan, lembrou que estava no Missouri trabalhando para a "resistência checa antisoviética" em 1968, quando chegou a notícia do esmagamento da chamada Primavera de Praga pelos tanques soviéticos. "Agora, meu país não será mais uma vítima impotente de uma invasão estrangeira."
O preço a ser pago pela Otan nos campos econômico e político será elevado. As novas adesões custarão cerca de US$ 1,5 bilhão. No campo político, a aliança terá de aplacar os temores da Rússia, o que não parece fácil.
Em Moscou, a chancelaria russa divulgou uma nota de protesto, destacando que a expansão da Otan não fomenta a confiança e a estabilidade nas relações internacioais e produzirá novas divisões na Europa. No comunicado, o Kremlin propõe um novo modelo de segurança européia que proteja os interesses de todos os países membros e não apenas membros de alianças políticas e militares.
Nesse sentido, a diplomacia russa apresenta a Organização para Cooperação e Segurança na Europa (OSCE) como "modelo em potencial". "A OSCE é uma organização puramente européia, mais representativa e universal, capaz de lidar com todos os desafios do século 21 - políticos, econômicos, militares e humanitários."
A nota ressalta a "necessidade" de alterações profundas nas negociações de Viena para atualização do chamado Tratado de Forças Convencionais na Europa (CFE), em consequência do crescimento da Otan. "O potencial militar das forças terrestres da aliança aumentaram em 13 divisões com o ingresso dos três novos sócios e seu domínio cresce entre 650 e 750 quilômetros em direção ao leste", argumentou o general Leonid Ivashov, chefe do setor de cooperação internacional do ministério.

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