Varsóvia, 24 (AE-AP) - Sublinhando a contínua dor da transição econômica 10 anos após a queda do comunismo, milhares de agricultores e trabalhadores marcharam pelas ruas de Varsóvia nesta sexta-feira para pressionar o governo para melhores salários e seguro desemprego.
Muitos manifestantes pediram eleições antecipadas - não previstas até 2001 - e acusaram a administração do primeiro-ministro Jerzy Buzek de ignorar os problemas do país.
Gritando "ladrões, ladrões", os manifestantes queimaram uma imagem de Buzek e a bandeira azul da União Européia (UE).
O líder radical dos agricultores, Andrzej Lepper, pediu a renúncia do governo, acusando-o de trabalhar sob "a ordem do Ocidente podre".
Organizadores das manifestações em Varsóvia - sindicatos de agricultores radicais e uma federação trabalhista esquerdista - diziam esperar a adesão de mais de 100.000 pessoas, mas a multidão foi menor. Segundo o porta-voz da polícia, Dariusz Janas, havia cerca de 30.000 manifestantes.
Apontando para a adesão menor do que a esperada, líderes do Partido Solidariedade, de Buzek, consideraram este um golpe desastroso contra a oposição esquerdista. Por sua vez, líderes protestantes alegaram ter reduzido por vontade própria o número de manifestantes para não incomodar demais os moradores de Varsóvia.
Mas o presidente do Solidariedade, Marian Krzaklewski, alertou contra o fato de se subestimar a importância das manifestações. "Isto mostra claramente que o governo deveria colocar em andamento suas prioridades para a segunda parte do mandato o mais rápido possível, disse ele à rádio privada Zet.

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